Adoração ao Menino Deus: 

da Materialidade à Imaterialidade

 

Eu guardo, desde menino,

Na gruta do coração,

O presépio que fazia

Com ternura e comoção. [...]

 

Dá-me, Menino Jesus,

Da antiga infância a simpleza

Para Te amar, e adorar

Com maior fé, mais pureza.

 

Dom Oscar de Oliveira, Meu Presépio, Estância de Saudades. 

 

Segundo a lenda, o primeiro presépio foi montado por São Francisco de Assis, em 1223, com poucas imagens: a Sagrada Família, o irmão boi e o irmão jumento, com as figuras criadas em barro, colocadas em um recanto. O local escolhido foi uma gruta, da floresta na região de Greccio, na Itália. As representações da Natividade de Cristo remontam do século III, especialmente na escultura e pintura. Nas primeiras obras, aparecem apenas a Senhora e o Menino, conforme afresco da Catacumba de Priscila, em Roma. Nessa cena o profeta Balaão – um personagem do Livro dos Números, aponta para a estrela que brilhava no céu.

 

Uma imagem contendo pizza, mesa, velho, água

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A Senhora com o Menino Deus e o profeta Balão, afresco, século III, Catacumba de Priscila, Roma. Imagem disponível na internet. 

 

Com o passar do tempo, a figura de São José passou a compor a cena com os demais personagens. A Natividade conquistou maior popularidade a partir do século XIV, com representações na escultura, pintura e gravura. Um dos artistas a inovar a cena, com suas soluções pictóricas, foi Giotto di Bondone (1267-1337), com Adoração dos Reis Magos, em seus afrescos da Igreja de Santo Antônio, em Pádua, na Itália.

 

Imagem digital fictícia de personagem de jogo de vídeo game

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Adoração dos Reis Magos, Giotto, afresco, Pádua, Itália. Imagem disponível na internet.

 

A tradição em montar o presépio se expandiu por toda a Europa e outras partes do mundo. Herdamos dos portugueses esse costume. Os presépios em Portugal ganharam outra dinâmica, passaram a ser confeccionados em cerâmica e com profusão de personagens e detalhes. Vários escultores portugueses se destacaram na confecção de presépios, um deles foi Joaquim Machado de Castro (1731-1822). Tradição comum na Itália e em Portugal, mas de maneira geral, os presépios italianos são de roca, ou seja, as figuras têm uma estrutura em madeira ou outro material, com a cabeça, as mãos e pés esculpidos, vestidas com as indumentárias específicas de cada personagem.

No Brasil, no Museu de Artes Sacra de São Paulo, podemos apreciar um grande presépio procedente da Itália, napolitano, setecentista, com cerca de 1600 peças, com uma riqueza de detalhes e expressiva diversidade de tipos humanos, especialmente no entorno central, com São José, Maria e o Menino Deus. Nos diversos ambientes, encontramos figuras do cotidiano, a executar os seus fazeres, a nos permitir a compreensão do modus vivendi daquele período. Dentre tantos detalhes, observamos um homem na torre de uma edificação, em uma escada, no interior do campanário. 

 

Uma imagem contendo no interior, velho, grupo, foto

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Cena central do Presépio Napolitano, Museu de Arte de São Paulo-SP. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Torre com campanário, Presépio Napolitano, Museu de Arte de São Paulo. Fotografias: Luiz Cruz.


Uma imagem contendo no interior, pequeno, segurando, menina

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Detalhe das partes de um dos personagens do Presépio Napolitano, o corpo e as partes esculpidas. Museu de Arte de São Paulo-SP. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Com solução escultórica diferente do presépio napolitano, encontra-se no acervo do Museu de Arte Sacra de São Paulo, o presépio procedente de Tiradentes-MG, que pertencera à família Veloso, que vivia na Rua Padre Toledo, número 13.  Esculpido em terracota, policromado, bem ao gosto dos presépios portugueses, com refinamento e certo eruditismo. Alguns personagens são apresentados individualmente, outros em blocos. Há alguns com partes recortadas. Como as peças foram queimadas, as partes traseiras têm aberturas, para evitar rachaduras.

Na casa dos Veloso, esse presépio ficava armado na sala de visitas, o ano todo, com as peças principais. Somente nos tempos natalinos se montava completo. Em 2025, esteve exposto no Museu de Arte Sacra de São Paulo, está devidamente restaurado e atualmente se encontra na reserva técnica desse museu.

 

Imagem digital fictícia de personagem de jogo

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A Senhora com o Menino Desus e São José. Presépio em terracota, policromado, procendente de Tiradentes-MG. Acervo: Museu de Arte Sacra de São Paulo-SP.  Fotografrias: Luiz Cruz.

 

Estátua de personagem de desenho animado

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São José e os pastores. Presépio em terracota, policramado, procendente de Tiradentes-MG. Acervo: Museu de Arte Sacra de São Paulo-SP. Fotografria: Luiz Cruz. 

   

Peça em bloco e peça individual. Presépio procedente de Tiradentes-MG. Acervo: Museu de Arte Sacra de São Paulo-SP. Fotografria: Luiz Cruz.


Uma imagem contendo grama, ao ar livre, pilha, comida

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Peça com a abertura para a queima. Presépio procedente de Tiradentes-MG. Acervo: Museu de Arte Sacra de São Paulo-SP. Fotografria: Luiz Cruz.

 

Em Tiradentes, na mesma Rua Padre Toledo, no número 106, na alcova, a família Lopes da Cruz deixava o presépio armado o ano todo. Era mantido pelas irmãs solteiras Conceição e Belica. O cenário era surpreendente, com diversidade de edificações, elaboradas com os mais diversos materiais e bem coloridas. Nos ambientes, ficavam os personagens, alguns eram bonecas de celuloide vestidas de anjos.

 

Foto em preto e branco de pessoas na frente de um prédio

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Presépio do família Lopes da Cruz, armado na alcova da casa, Rua Padre Toledo, número 106. Fotografia: João Batista Ramalho, decáda de 1930. Acervo Eliane Ramalho. Arquivo: Luiz Cruz. 

 

Conceição Lopes foi uma das preparadoras de “pastorinhas”, que saiam a visitar os presépios das igrejas e das residências.

A cantora lírica, Olinda Rocha, que viveu na Rua da Câmara, também preparou muitas meninas para serem as “pastorinhas” visitadoras de presépios.  Dona Lena Lopes, sobrinha de Conceição Lopes também foi pastorinha, contribuia com Olinda Rocha nos ensaios das meninas e posteriormente, na décade de 1970, fez o resgate dessa manifestação cultural dos tempos natalinos. 

 

As fontes inspiradoras

 

Com as grandes navegações e a partir da circulação das obras de arte, objetos e principalmente dos impressos – tais como as gravuras avulsas, os registros de santos, bíblias e missais, as informações visuais chegaram por todos os cantos do planeta. Os artífices tinham contato com as imagens e se apropriavam de suas informações para criar suas obras, nos mais diversos suportes, dentre essas obras os presépios.

Além dos impressos citados acima, torna-se necessário destacar que os tratados de arquitetura, de ornamentação e de pintura também circularam, inclusive na capitania de Minas Gerais, no período colonial. Em alguns inventários post mortem de artífices mineiros com expressiva atuação na arte da ornamentação pictórica de edificações religiosas. Deixaram essas obras registradas, em especial pelo professor de pintura João Nepomuceno Correia Castro e o pintor e cartógrafo Caetano Luiz de Miranda.

 

A adoração dos pastores, gravura em metal, Ioan Sadeler, 1599. Acervo Biblioteca Nacional, RJ.


A gravura em metal avulsa foi produzida por diversos artistas e por terem reprodução mais numerosa, em tamanhos reduzidos, eram mais fáceis de circular e chegar a tantos destinos. Em Belo Horizonte, na Casa Fiat de Cultura, localizada na Praça da Liberdade, 10, podemos apreciar a fabulosa exposição: Rembrandt – O mestre da luz e da sombra, que apresenta 69 gravuras originais do gravador holandês Rembrandt H. van Rijn (1606-1669), com temas sacros, retratos, cenas do cotidiano e a Adoração dos Pastores.  Essa exposição é oportunidade ímpar para apreciar as obras desse exímio gravador.

 

   Desenho de um livro

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 Adoração dos Pastores, gravuras de Rembrandt, século XVII. Exposição na Casa Fiat de Cultura, Belo Horizonte-MG. Fotografias: Luiz Cruz. 

 

Na antiga Vila de São José, a atual Tiradentes-MG, com certeza os impressos circularam, em especial o Missale Romanum, Antuerpiae, Plantiniana, de 1724, com edições consecutivas; eles foram as principais fontes inspiradoras para a criação de obras artísticas. Nesse caso, merece destacar o conjunto de telas da Matriz de Santo Antônio, que ficava exposto nos muros da nave. As telas foram pintadas a partir das cenas dos missais do acervo da própria Paróquia de Santo Antônio. São oito obras, no primeiro grupo estão: Anunciação, Natividade, Epifania (ou Adoração dos Reis Magos) e Ascensão de Cristo e o segundo com as cenas dos doutores da Igreja: São Jerônimo, São Gregório, Santo Ambrósio e Santo Agostinho.

Ao visitar essa igreja, o viajante Richard Burton (1821-1890) registrou em Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho (1976, p. 131):

 

O estilo é barroco, ou velho jesuítico, e se parece com o de São Bento, no Rio de Janeiro; é, contudo, mais primitivo, pretensioso e grotesco. A nave é retangular, com afrescos muito sem arte, de santos em tamanho natural, Gregório e Ambrósio, Agostinho e Jerônimo, além da Anunciação, dos Reis Magos e do curral ou presépio de Belém. (grifo nosso). 


Atualmente esse conjunto de telas se encontra restaurado e exposto no Santuário da Santíssima Trindade, duas das obras retratadas aqui, Epifania e a Adoração dos Pastores, ambas tiveram as imagens de missal como fonte de inspiradora, conforme a gravura abaixo. Na ausência de documentação e após a restauração desse conjunto, com a remoção de repintura e a recuperação das perdas dos suportes pictóricos, tornou-se possível melhor análise das características / tipologia com mais detalhes. Há que se considerar o conjunto de estilemas desenvolvidos pelo mestre pintor Manoel Victor de Jesus, encontrados nessas obras. 

 

    Pintura de uma pessoa

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Página de missal, com a gravura Adoração dos Pastores e pintura da mesma cena.Têmpera sobre tela, século XVIII /XIX. Acervo da Paróquia de Santo Antônio, Tiradentes-MG. Fotografias: Luiz Cruz. 

 

Desenho de uma pessoa

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 Epifania, ou Adoração dos Reis Magos. Têmpera sobre tela, século XVIII / XIX. Acervo da Paróquia de Santo Antônio, Tiradentes-MG. Fotografia: Luiz Cruz.

 

A tradição dos presépios


No Brasil, a partir do período colonial, o presépio se popularizou e foi armado nas edificações religiosas e civis. As cenas diversas a envolver a Senhora e o Menino Deus ornamentam diversas igrejas e conventos no Nordeste brasileiro, em azulejaria, produzida em Portugal, conforme se observa na Igreja do Senhor do Bonfim, de Salvador-BA.

 

Uma imagem contendo Padrão do plano de fundo

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Epifani ou Adoração dos Reis Magos, azulejaria da Igreja do Senhor Bom Jesus do Bonfim, Salvador-BA, 1746 / 1754. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Alguns presépios eram montados em redomas, caixas de vidro, em oratórios e registros de santos, a maioria armada especialmente no tempo do Advento. Um desses exemplares em caixa de vidro, com frisos pintados e dourados, pode ser apreciado no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto-MG. As figuras foram esculpidas em madeira e policromadas, com muitos detalhes, anjos, conchas, flores e rochas.

 

Pintura na parede

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 Presépio em caixa, com as figuras esculpidas e policromadas, século XVIII. Acervo Museu da Inconfidência, Ouro Preto-MG. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Os oratórios mineiros conhecidos como oratórios-lapinha, produzidos entre os séculos XVIII e XIX, trazem cenas da vida de Cristo, na base, geralmente, a cena da Natividade. O oratório-lapinha, na maioria dos exemplares, tem o formato vertical, entalhados, policromados e com frisos dourados.  São facetados e fechados com vidro. As esculturas em calcita contrastam com a pintura fundeira em fingimento têxtil. No Museu do Oratório, em Ouro Preto-MG, exemplares de oratório-lapinha podem ser apreciados; também no Museu Boulieu, em Ouro Preto, no Museu Mineiro, em Belo Horizonte-MG e no Museu de Arte Sacra de São Paulo, em São Paulo-SP.


              

             

Oratórios-lapinha, século XVIII, exemplares do Museu do Oratório. 
 Ouro Preto-MG.  Fonte: Museu do Oratório.

 

   


Oratórios-lapinha, século XVIII, exemplares do acervo do Museu Mineiro, Belo Horizonte. Fotografias: Luiz Cruz. 

 

 Desenho de uma pessoa

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          OratórioS-lapinha, século XVIII,  Museu de Arte Sacra de São Paulo-SP. Fotos: Luiz Cruz.  

 

A Irmandade de São Francisco de Assis de Ouro Preto teve um presépio esculpido em madeira e policromado, da fatura de Antônio Francisco Lisboa (1737-1814) – o Aleijadinho. Do conjunto subsistem apenas quatro peças duas inteiramente esculpidas e duas de roca.

 

Homem em pé ao lado de mulher

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Peças do presépio da Capela de São Francisco de Assis, século XVIII, autoria do mestre Aleijadinho. Museu da Inconfidência. Ouro Preto-MG. Fotografias: Eugênio Sávio. 

 

Ao longo do tempo, muitos presépios antigos acabaram perdidos ou em coleções particulares. Peças avulsas de presépios setecentistas podem ser apreciadas em museus, como o da Inconfidência, de Ouro Preto, Museu Regional de São João del-Rei-MG e no Museu do Diamante, em Diamantina-MG. 

 

As Folias de Reis

 

É herança da cultura portuguesa que se aportou no Brasil e se enraizou por esse território de dimensão continental. As Pastoradas, Reisadas e Janeiras, como são referidas em Portugal, vem de longa tradição europeia. São as manifestações da cultura popular, de se apresentar nas casas as cantigas que versam sobre a Natividade de Jesus, a Visita dos Pastores e a Visita dos Reis Magos ao Menino Deus, em sua manjedoura.

No Brasil, as Reisadas foram se adaptando a cada localidade, de acordo com os recursos disponíveis e se tornando um dos elementos formadores da identidade de cada lugar. As Pastoradas receberam desdobramentos, além das Folias de Reis. Em outras ocasiões, saem também as Folias de São Sebastião, Folias do Divino Espírito Santo, Folias de São José, Folias do Sagrado Coração de Jesus e Folias de Nossa Senhora Aparecida.

As Folias de Reis resistem em alguns municípios do Campo das Vertentes. São grupos organizados, com músicos, cantores, os palhaços e a bandeira, sob a coordenação de um folião. De casa em casa, onde se arma um presépio, caminham silenciosamente e chegam à porta, para anunciar a adoração ao Menino Deus na manjedoura. Eles tocam sanfonas, caixas, pandeiros, triângulos e xique-xiques, com os instrumentos de cordas – cavaquinhos, violas e violões, e o naipe de vozes. O bandeirista segue à frente com a bandeira ornamentada com a imagem da Adoração dos Magos. Cantam, o dono da casa abre a porta e recebe a bandeira, conduzida pelos cômodos para abençoar a propriedade e os moradores. Enquanto os foliões apresentam os cânticos diante do presépio, a bandeira fica sobre uma das camas da casa.

Depois da cantoria, serve-se um café para os foliões. Caso o dono da casa ofereça uma espórtula, há um canto; ou se acrescentar um enfeite à bandeira, mais um cântico. Finalmente, o da despedida ao presépio e ao dono da casa, com a promessa de retornar no próximo ano. As Folias de Reis circulam a partir do Dia de Natal até o Dia de Santos Reis, no 6 de janeiro.

           

            Canto da chegada da Folia de Reis nas casas:

           

Oh! Que hora tão bonita

            Nossa folia chegou

            Com a bandeira dos três Reis

            Toda coroada de flor

            Senhor dono da casa

            Sei que vóis está dormindo

            Escutai nossa folia

Levanta devagarinho

A bandeira veio vindo

Na sua porta parou

Uma bandeira de Reis

Toda enfeitada de flor

Vem abrir a sua porta

Com prazer e alegria

Recebei nossa bandeira

E também essa folia

Senhores dono da casa

Pedimos sua atenção

Aqui nossa bandeira

É da sua devoção

 

Registro de Edgar Fonseca Almeida, quarto folião da

Folia de Reis da Caixa D’Água, Tiradentes-MG.

 

  Grupo de animais no campo

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Folia de Reis de Tiradentes, com o Padre José Bernardino, década de 1930. Acervo: Gilson Costa. Arquivo: Instituto Cultural Biblioteca do Ó. 

 

Até recentemente, apenas os homens participavam das Folias de Reis. Os grupos circulavam à noite, na cidade ou na zona rural, até o dia clarear. Saiam independente das condições do tempo, com estrelas e lua no céu, ou com a chuva típica do final de ano; muitas vezes transitando por caminhos precários, com poças e muita lama.

 

Foto em preto e branco de grupo de pessoas na grama posando para foto

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Folia de Reis, no Alto da Serra de São José, década de 1940. Fotografia Arquivo: Instituto Cultural Biblioteca do Ó. 

 

O folião recebe os componentes em sua casa, oferece um café; eles afinam os instrumentos, fazem uma passagem dos cantos e logo partem, de rua em rua, de porta em porta, para visitar o presépio e adorar o Menino Deus. O Instituto Cultura Biblioteca do Ó, quando funcionou no Largo do Ó, tinha o presépio montado e recebia a Folia de Reis de Tiradentes. Apoiou o grupo com o fornecimento de uniforme e chapéus com fitas coloridas.




Folia de Reis de Tiradentes na visita ao presépio da Biblioteca do Ó. Fotografias: Acervo do Instituto Cultural Biblioteca do Ó - Tiradentes-MG.

Muitos foliões que conhecemos e apreciamos em nossa cidade, já partiram, mas deixaram um legado de religiosidade, devoção e sobretudo de cultura. Saudades dos foliões Chico Curió, Orlando Curió, Silvério Costa, Pitanga, Ziquinha, Hildo Rosa, Luizão, Lilito, Chico de Matos e tantos outros. Cada um deixou impressa a sua contribuição para a manutenção dessa manifestação de gosto popular.

 

Pessoas com instrumentos musicais e microfone em cima de uma superfície de madeira

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Folia de Reis de Tiradentes, com o Sr. Hildo Rosa, década de 1960. Fotografia Arquivo: Instituto Cultural Biblioteca do Ó.

 

Atualmente, o folião Gilson Costa mantém a Folia de Reis de Tiradentes, mas ainda temos a Folia de Reis da Caixa D’Água, do Elvas, de César de Pina e a de Águas Santas. Mobilizar, organizar e colocar uma folia na rua tem sido um desafio, por total falta de apoio a essa manifestação da cultura popular e da religiosidade tão marcante em nossa História.

 

Grupo de pessoas posando para foto

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Folia de Reis de Tiradentes-MG, visita ao presépio de Ricardo Ribeiro Resende. Fotografia: Luiz Cruz. 

 

Grupo de pessoas em pé

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 Folia de Reis de Tiradentes-MG, visita à casa do Chico Doceiro. Fotografia: Luiz Cruz. 

 

Grupo de pessoas com roupas coloridas

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 Folia de Reis de Tiradentes-MG, visita ao presépio da casa de Luiz Cruz.  Fotografia: Luiz Cruz.

   

 

 

Os saudosos foliões Luizão e Hildo Rosa na visita ao presépio de Luiz Cruz. Fotografias: Luiz Cruz.
 

 

Os saudosos foliões Orlando Curió e Pitanga na visita ao presépio de Luiz Cruz. Fotografias: Luiz Cruz.

  

Grupo de pessoas reunidas numa sala

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 Folia de Reis da Caixa D’Água, visita ao presépio de Luiz Cruz. Fotografia: Luiz Cruz.

 

 

O saudoso folião Lilito, da Folia de Reis da Caixa D’Água, visita ao presépio de Luiz Cruz. Fotografia: Luiz Cruz. 

 

Grupo de pessoas sentadas

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 Folia de Reis da Caixa D’Água, visita ao presépio de Luiz Cruz. Fotografia: Luiz Cruz. 

 

Uma imagem contendo no interior, mesa, decorado, velho

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 Folia de Reis do Elvas, visita ao presépio de Ricardo Ribeiro Resende. Fotografia: Luiz Cruz. 

 

Grupo de pessoas tocando instrumentos musicais

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 Folia de Reis do Elvas, visita ao presépio de Ricardo Ribeiro Resende. Fotografia: Luiz Cruz. 

 

Pessoas com instrumentos musicais e microfone em cima de um livro

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 Folia de Reis das Águas Santas, Comunidade de Águas Santas. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Vaso com flores coloridas

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 Bandeira da Folia de Reis das Águas Santas, Comunidade de Águas Santas. Fotografia: Luiz Cruz. 

 

Grupo de pessoas em pé posando para foto

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 Folia de Reis, de César de Pina à exposição de Presépios,  no Centro Cultural Yves Alves. Fotografia: Luiz Cruz.

  

     Grupo de pessoas na frente de um prédio

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 Folia de Reis, de César de Pina em visita aos presépios de Tiradentes. Fotografia: Luiz Cruz. 

 

Uma imagem contendo pessoa, homem, segurando, em pé

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 Folia de Reis Estrela de Belém, da Comunidade de Teixeiras, Juiz de Fora, na visita ao presépio de Luiz Cruz. Fotografia: Luiz Cruz. 


Grupo de pessoas na frente de uma casa

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 Folia de Reis Estrela de Belém, da Comunidade de Teixeiras, Juiz de Fora, na visita ao presépio de Luiz Cruz. Fotografia: Luiz Cruz. 

 Bolo decorado com flores

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 Bandeiras de Folias de Reis sobre camas, para a proteção da casa e dos familiares. Fotos: Luiz Cruz.

 

A tradição da montagem dos presépios em Tiradentes e nas cidades da região Campo das Vertentes é expressiva. O casal Antônio Ferreira Gomes e Dona Anésia foi incentivador e inspirador para as montagens. Renato Diniz e Pepe de Cordoba viveram por certo tempo na casa que fora desse casal, na Rua Direita, número 111. Pepe colecionou presépios e conosco foi curador de várias exposições dedicadas à essa tradição. Numa dessas edições, celebramos os “300 anos da Cidade de Tiradentes”, compos tal mostra a primeira bandeira da Folia de Reis Embaixada Santa, de São João del-Rei, atualmente do folião Ulisses Passarelli. 

 

Pessoa em pé segurando placa

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Pepe de Cordoba, curador da exposição Presépios, a registrar os 300 Anos da Cidade de Tiradentes e os 20 Anos de Atividades do Centro Cultural Yves Alves. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Imagem digital fictícia de personagem de desenho animado

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Bandeira da Folia de Reis Embaixada Santa, de São João del-Rei, na exposição Presépios, a registrar os 300 Anos da Cidade de Tiradentes e os 20 Anos de Atividades do Centro Cultural Yves Alves. Fotografia: Luiz Cruz. 

 

O pesquisador e folclorista Ulisses Passarelli se tornou um dos mais importantes incentivadores das manifestações culturais populares do Campo das Vertentes; por seu trabalho de campo, registros e divulgação, foi homenageado pelo Projeto Atitude Cultural, idealizado e coordenado pela produtora cultural Alzira Haddad.

 

Pessoas com instrumentos musicais e microfone

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O pesquisador e folclorista Ulisses Passarelli recebendo homenagem do Projeto Atitude Cultural, coordenado por Alzira Haddad. Fotografia: Luiz Cruz.

 

   Homem falando no microfone

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A Folia de Reis Embaixada Santa, do folião Ulisses Passarelli no Encontro de Folias de Reis, promovido pelo Projeto Atitude Cultural, coordenado por Alzira Haddad. Fotografias: Luiz Cruz. 

 

Os Encontros de Folias de Reis promovidos pelo Projeto Atitude Cultural foram elementares para fomentar e reconhecer a importância dos grupos atuantes no Campo das Vertentes. Foram oportunidades para a confraternização e o contato com grupos distintos como a Folia de Reis, da foliã Maria, composto somente por mulheres.

 

Pessoa posando para foto

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Folia de Reis da foliã Maria, no Encontro de Folias, promovido pelo Projeto Atitude Cultural. Fotografia: Luiz Cruz.

 

 

As Pastorinhas de Tiradentes 

 

As donas Olinda Rocha, Conceição Lopes, Lena Lopes, Ana de Menezes, Alice Lima Barbosa e Lilia Nascimento foram incentivadoras da criação e organização de grupos de Pastorinhas, que visitaram os presépios a partir do Dia 25 de Dezembro até o Dia 6 de Janeiro, o dia dos Santos Reis Magos.

Dona Olinda Rocha era cantora lírica e viveu na Rua da Câmara e conseguiu formar um grupo que até o presente mantém viva essa tradição. Apesar de ter ocorrido um longo período sem a atuação das Pastorinhas; na década de 1970, Dona Lena fez o resgate e o grupo participou das celebrações na Matriz de Santo Antônio, percorreu a cidade e visitou os presépios.

As Pastorinhas preparadas por Dona Olinda Rocha, hoje estão com idade avançada, já são mães, avós e bisavós. Muitas já partiram para sempre e deixaram saudades.

 

Homem e mulher em pé posando para foto

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Dona Naná e a saudosa Dona Dodô, que participaram das Pastorinhas preparadas por Dona Olinda Rocha. Fotografia: Luiz Cruz.

 

No bairro Várzea de Baixo, Dona Ana de Menezes, preparou e organizou um grupo de Pastorinhas. Foi uma ação muito positiva e necessária para aquela comunidade. 

 

Grupo de pessoas na grama posando para foto

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 As Pastorinhas, do bairro Várzea de Baixo, com Dona Ana de Menezes e o Padre Ademir Longatti, adro do Santuário da Santíssima Trindade, década de 1980. Fotografia: Ulisses Passarelli.

  

Na década de 1990, Dona Ana de Menezes montou outro grupo de Pastorinhas, no mesmo bairro, com o apoio da SAT – Sociedade Amigos de Tiradentes. Eros Miguel Conceição, o tesoureiro da SAT, acompanhou todo o processo, assistiu aos ensaios, comprou os tecidos, desenhou as roupas e orientou os trabalhos da costureira. Tudo feito com muito capricho, como ele gostava. Registramos a saída desse grupo para a primeira apresentação na Missa de Natal, na Matriz de Santo Antônio; depois as Pastorinhas seguiram, a visitar os presépios.

 

Grupo de pessoas sentadas e em pé na grama

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Dona Ana de Menezes e as Pastorinhas, saindo da Várzea de Baixo para a  Missa de Natal. Década de 1990. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Grupo de pessoas fantasiadas

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 As Pastorinhas do bairro Várzea de Baixo, no presépio, Missa de Natal. Década de 1990. Fotografia: Luiz Cruz. 

 

Dona Lilia – Maria José Nascimento – também foi Pastorinha quando criança. Posteriormente, adquiriu as peças remanescentes do presépio de Conceição Lopes e o montou na Capela de Nossa Senhora das Mercês. Sempre animadíssima, participava de tudo da comunidade, atuou como zeladora e sineira da Capela das Mercês e, mais uma vez, fez o resgate das Pastorinhas.

 

Grupo de pessoas na frente de uma casa

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Pastorinhas e Dona Lilia, no jardim do Centro Cultural Yves Alves. Tiradentes-MG. Foto: Luiz Cruz.

  

Grupo de pessoas fantasiadas

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 Pastorinhas visitando o presépio de Dona Maria José Moura do Nascimento, na Rua Direita. Tiradentes-MG. Fotografia: Luiz Cruz. 

 


As Pastorinhas na primaz de Minas Gerais

 

Mariana, a primeira vila e capital de Minas Gerais, completou 280 anos de elevação à cidade – 1745 / 2025. Ao longo do tempo, acompanhamos as diversas manifestações culturais marianenses, especialmente dos tempos natalinos. Os grupos diversos das comunidades, de Folias de Reis e de Pastorinhas, visitam os presépios, especialmente o armado na Praça Gomes Freire. Essas manifestações populares reforçam o potencial cultural de Mariana, que nos últimos anos tem recebido a maior pontuação de ICMs Cultural de Minas Gerais. Ou seja, apoiar a cultura, gera retorno financeiro para o município. A cultura fortalece o senso de pertencimento e a identidade cultural de cada cidadão e suas comunidades.

 

Pessoas andando na rua com prédio em cima

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Grupo de Folia de Reis Estrela Guia, Mariana-MG. Fotografia: Luiz Cruz. 

 

Pessoas com roupas coloridas

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  Grupo de Pastorinhas da Comunidade de Bandeirantes. Mariana-MG. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Grupo de pessoas fantasiadas

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 Grupo de Pastorinhas da Comunidade de Bandeirantes. Mariana-MG. Fotografia: Luiz Cruz.

  

Grupo de pessoas em um parque

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 Folia de Reis da Comunidade de Caxambu visitando o presépio da Praça Gomes Freire. Mariana-MG.                                   Fotografia: Luiz Cruz.                                        

 



    Palhaços do Encontro de Folias de Reis. Mariana-MG. Fotografias: Luiz Cruz. 

 

 

O Pastoril de Natal 

 

Em tempos de aceleradas transformações, o bispo e poeta Dom Oscar de Oliveira já nos alertava, em 1984:

 

O Natal de Jesus o estão esfacelando...

Motivo é de comércio e vasto consumismo.

Em nome de Natal há sacrilégio infando,

Com traição a Jesus num louco mundanismo.

 

Dom Oscar de Oliveira, Que Natal, Estância de Saudades.

 

Recentemente, impulsionado pelo comércio, a essência do Natal vem perdendo fôlego. O principal personagem que é o Menino Deus, a cada ano tem sido superado pela figura do consumismo, que é o Papai Noel, a representar o “presente natalino”.

O poeta Manuel Bandeira, salientou:

           

O nosso menino

            Nasceu em Belém.

            Nasceu tão-somente

Para querer o bem.

 

Nasceu sobre as palhas

O nosso menino,

Mas a mãe sabia

Que ele era divino. [...]

 

Manuel Bandeira, Canto de Natal. Antologia Poética.

 

 

A poeta mineira, Adélia Prado, também destacou o leito em que o Menino nasceu:

 

            Entrai, entrai, pastorinhas

            Por este portal sagrado,

            Vinde ver Deus menino,

Numas palhinhas deitado. [...]

 Adélia Prado e Lázaro Barreto.

 

José e Maria foram perseguidos. Eram refugiados. Ele bateu de porta em porta a pedir abrigo e ela prestes a dar à luz. Foram recusados. O casal foi parar num estábulo e o Menino Deus “nasceu sobre as palhas”, sob os olhares dos animais. Os pastores chegaram primeiro para visitá-lo.

 

            Ele nasceu em um Belém.

Ele não nasceu em Las Vegas.

Meme que viralizou nas redes.

 

Até mesmo as cidades ditas históricas entraram na moda, os cortejos de Natal viraram verdadeiros desfiles, ao gosto das parades, incluindo as representações típicas norte americanas, como o Michey e Minnie. Nas próximas edições poderão aparecer bonecos de Donald Trump e até a bandeira de Israel...

Com certeza, os mais prejudicados com a falsificação do Natal, com essa falta de identidade, são os pequeninos. Há a perda do encantamento que a montagem de um presépio causa, conforme os poemas sensíveis de Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade e Adélia Prado.

Atento às transformações, o professor, maestro e musicólogo Willer Silveira passou os últimos anos a pesquisar sobre as manifestações populares, em especial as Folias de Reis e as Pastorinhas. Após trabalho de campo, criou os arranjos para as cantigas e montou o Pastoril de Natal. A primeira apresentação ocorreu no Centro Cultural Yves Alves e a seguinte na Matriz de Santo Antônio. A Orquestra e Banda Ramalho, atuante desde 1860, brilhou ainda mais com a apresentação do Pastoril de Natal. Foi um expressivo acerto para esses tempos de atropelamentos das nossas tradições memoráveis. 

 

Pastoril de Natal, apresentado pela Orquestra e Banda Ramalho,  Centro Cultural Yves Alves. Tiradentes-MG. Fotografia: Luiz Cruz. 

 

Pessoas com uniforme posando para foto

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Dona Conceição nos seus tempos de menina foi Pastorinha, preparada por  Dona Olinda Rocha, ela prestigiando o Pastoril de Natal, com sua família.

  

Uma imagem contendo no interior, edifício, grande, muitos

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Pastoril de Natal, pela Orquestra e Banda Ramalho, Matriz de Santo Antônio.  Tiradentes-MG. Fotografia: Luiz Cruz. 

 

Grupo de pessoas fantasiadas

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Pastoril de Natal, Orquestra e Banda Ramalho, Matriz de Santo Antônio. Os três solistas, a representar os três Reis Magos. Fotografia: Luiz Cruz.

   


 Dona Lourdes, Pastorinha preparada por Dona Olinda; Dona Vanda Gomes, Pastorinha preparada por Dona Conceição Lopes e o maestro Willer Silveira. Fotografias: Luiz Cruz. 

 

O Pastoril de Natal sensibilizou e emocionou a todos, em especial as senhoras que outrora foram Pastorinhas. As apresentações transcorreram com sucesso total, valorizaram a cultura local e destacaram a importância do Patrimônio Humano do município. Uma iniciativa muito positiva para Tiradentes. 

 

O encantamento do Presépios

 

Belo Horizonte oferece boas oportunidades para apreciadores de presépios de todas as idades. Na Grande Galeria do Palácio das Artes ocorre a exposição do acervo do Grupo Giramundo, criado em 1970. Dentre os conjuntos, estão os bonecos do espetávulo Auto das Pastorinhas, que ao ser lançado, ficou três meses em cartaz. Os personagens são delicados e nos sensibilizam. Essa exposição estará aberta ao público até o dia 26 de fereiro de 2026, com visitas gratuitas.

 

Pessoas com roupas coloridas

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 Presépio do Auto das Pastorinhas, Grupo Giramundo, Palácio das Artes,Belo Horizonte-MG. Fotografia: Luiz Cruz. 

 

Foto em preto e branco de vaso com flores

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 Auto das Pastorinhas, Grupo Giramundo, Palácio das Artes, Belo Horizonte-MG. Fotografia: Arquivo Giramundo. 


Também no Palácio das Artes, na Galeria Arlinda Correia Lima, está a exposição Presépios de Minas em mim, aberta até o próximo 11 de janeiro de 2026, com entrada gratuita. A curadoria dessa mostra é de Flávio Vignoli e reúne 70 presépios e estandartes de várias regiões mineiras, com três exemplares do Campo das Vertentes, de Tiradentes, São João del-Rei e Prados. 

   



Exposição Presépios de Minas em mim obra de Cleber Wierman, de Tiradentes-MG;obra de Juliana Julião, de Prados-MG. Fotografias: Luiz Cruz. 

 

Exposição Presépios de Minas em mim –  obra de Alice e Augusto Ribeiro – Ponto dos Volantes.  Fotografia: Luiz Cruz. 


Já na Casa Fiat de Cultura, além da exposição de gravuras de Rembrandt, pode-se apreciar o Presépio Colaborativo, com a curadoria do artista Leo Piló. Essa 11ª edição é dedicada à população ribeirinha, sempre esquecida. O presépio vem se consolidando como um dos mais atrativos de Minas Gerais, a atrair inúmeros visitantes. É todo construído a partir de materiais reciclados, com cuidado e delicadeza. O resultado é de telurismo e com significativa plasticidade.



Presépio Colaborativo, curadoria de Léo Piló. Casa Fiat de Cultura. Belo Horizonte-MG.
Fotografia: Luiz Cruz.

Não há como deixar de registrar que temos dois concursos de presépios, um promovido pela Fundação de Arte de Ouro Preto e outro pela Universidade Federal de  São João del-Rei.

Em São Paulo, o Museu de Arte Sacra promoveu a Oficina de Presépios, as peças construídas se encontram em exposição no metro, na Estação Tiradentes. Essas iniciativas possibilitam novas linguagens e dão o toque de contemporaneidade aos novos presépios.

 

Uma imagem contendo teto, no interior, mesa, luz

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Exposição dos presépios construídos na Oficina de Presépios, promovida  pelo Museu de Arte Sacra de São Paulo-SP. Metro, Estação Tiradentes, SP. Fotografia: Luiz Cruz.


Natividad – Presépios da América Latina é a exposição do Museu de Arte Sacra de São Paulo em cartaz, a reunir presépios do século XVIII ao XXI, com os mais diversos materiais e soluções, da escultura e da pintura.

 

   

Natividad – Presépios da América Latina, exposição que reune presépios dos países latinos americanos. Museu de Arte de São Paulo-SP.  Fotografias: Luiz Cruz.


 Mesa com livros em cima

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Presépio Bargueño, autoria não identificada, madeira policromada e dourada,  século XVIII. Bolívia. Museu de Arte de São Paulo-SP. Fotografia: Luiz Cruz. 

   


Natividade, autoria não identificaada, óleo sobre tela, séulo XVIII. Euro-andina. Doação: Ladi Biesus. Museu de Arte de São Paulo-SP. Fotografias: Luiz Cruz. 

 

Minas Gerais e seus presépios fabulosos pontuam um gosto, uma característica, uma identidade cultural; em outros estados brasileiros os presépios também são mantados a causar encantamento e com isso a tradição segue resistindo. 

Luiz Antonio da Cruz

 

Agradecimentos: Instituto Cultural Biblioteca do Ó, Maria José Boaventura, Gelcimara Costa, Gilson Costa, Edgar Fonseca de Almeida, Nilzio Barbosa, Ricardo Ribeiro Resende, Leandro Zelortini, Maria Lídia Montenegro, Orquestra  Banda Ramalho, a todos foliões e a todos que participaram e incentivaram as Pastorinhas.

Comentários

  1. Maravilhoso! Que a tradição não se perca! Encanamentos!

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    1. Muito obrigado pela presença aqui. O tema é fabulo e contagiante. O nosso Patrimônio Cultural é muito expressivo. Abraço e que o seu Ano Novo seja de muitas bençãos.

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