CIDA FRAGA CHAVES

e o universo das mulheres insurgentes

 

Curiosa, esmiuçadora, decidida, sensível, como sói ser

uma artista sem mumunhas, duma brabeza singular. Dona de uma visão crítica das maravilhas

e das mazelas brasileiras. [...]

 

Paschoal Motta, Belo Horizonte.

 

 

Mandala Produção e a autora Cida Fraga Chaves têm o prazer em convidar a todos para o lançamento do livro Mulheres Insurgentes na Inconfidência Mineira, a se realizar no dia 23 de janeiro de 2026, às 16h00, na Câmara Municipal, centro, em Tiradentes-MG.  

 

Acervo: Luiz Cruz.


Após décadas consecutivas a perseguir as pegadas de mulheres potentes do Brasil, a historiadora e pesquisadora lança sua mais recente obra para tratar de um grupo peculiar de senhoras que viveram e atuaram na Capitania das Minas Gerais, na transição do século XVIII para o XIX. Tempos de faustos, de turbulências e de resistências, mas sobretudo de luzes, do Iluminismo. 



A autora e pesquisadora Cida Fraga Chaves. Fotografia: acervo Cida Fraga Chaves. 

 

Paulista, natural de Bauru, após se casar com Rubens Resende Chaves, transferiu-se para a Comarca do Rio das Mortes. Desde sempre, conforme destacado por seu saudoso colega escritor Paschoal Motta, Cida Fraga Chaves foi uma mulher curiosa e esmiuçadora. Comprometida com as questões do universo feminino, passou a refletir sobre um dos mais expressivos movimentos libertários do Brasil: a Inconfidência Mineira, já muito conhecido, principalmente sob o olhar dos opressores e a privilegiar o envolvimento masculino.

A autora partiu para as leituras intermináveis dos onze volumes dos Autos de Devassa, das diversas obras sobre o movimento inconfidente, viajou, visitou arquivos, leu e releu anotações. Ouviu. Circulou pelas fazendas setecentistas para escutar e anotar as histórias orais, que de tempos remotos, ainda circulam na região. Passou pelos ambientes aquecidos das cozinhas, com o fogão à lenha, com as longas prosas. A memória oral. O tempo e suas máculas, o sangue e suas máculas – a resistirem ao esquecimento. Dos faustos, das casas abastadas, supridas com o melhor que circulava – propiciado pelo ouro apurado nas bateias, da grande movimentação nas fazendas, das ideias, dos livros e dos teares proibidos. Nas salas de visitas as confabulações dos homens, nas cozinhas outras confabulações no espaço de domínio delas. As mulheres faziam tudo funcionar, na lida com os escravizados, nos resultados obtidos com as plantações e a mineração. Tecer e vestir. Riscar e bordar. Sonhar com a liberdade...

Traições ocorreram. O denunciado Alferes Tiradentes foi preso; o denunciante Joaquim Silvério do Reis, também foi preso. Um pesadelo desabou sobre a Capitania de Minas. Os homens inconfidentes presos foram levados para o Rio de Janeiro. As mulheres cuidaram de tudo, tocaram a vida. Sofreram tanto quanto os encarcerados, condenados e exilados.

Cida Fraga Chaves fez imersão profunda no universo dessas mulheres resistentes e insurgentes, que hoje estão iluminadas e resgatadas do limbo do esquecimento. Ocorreu mais que um apagamento, ocorreu ampla negligência sobre a atuação dessas personagens históricas.  Agora, o leitor pode embarcar nessa viagem, se iniciar nos primórdios dos setecentos e descobrir que na Capitania de Minas Gerais, as mulheres foram fortes, iluministas e sobretudo sagazes.

 

Cida Fraga Chaves e Rubens Resende Chaves, no pátio do Sobrado. Coronel Xavier Chaves. 

Fotografia: Luiz Cruz.

 

Muito além das Minas Gerais, Cida Fraga Chaves já se enveredou pelas pesquisas na Bahia, em amplo trabalho que resultou na publicação do livro Mulheres de Dois Andares, uma preciosa história sobre as mulheres potentes do Cuieté. No Mato Grosso, Cuiabá, investigou o paradeiro do inconfidente Domingos da Silva Xavier (1738-?), o irmão mais velho do Alferes Joaquim José da Silva Xavier, inconfidente, que acabara exilado em Lisboa, mas conseguiu retornar.

História e Literatura, para adultos, jovens e crianças – a autora já publicou diversos livros e está constantemente imersa no universo da pesquisa, a esmiuçar tudo, no enfrentamento das palavras e dos textos, no propósito de iluminar personagens. E como boa dona de casa, é também autora do livro A Mesa – o Trivial da Casa-grande, na Região Sudeste, no século XVIII. Um belo livro, com as receitas variadas que ela mesma coletou, experimentou e organizou.

Cida Fraga Chaves em seu Sobrado, bem no centro de Coronel Xavier Chaves, já ofereceu banquetes memoráveis, mas sempre para grupos pequenos. Seu serviço de porcelana e de prata é para doze pessoas e ela não abre exceção para improvisos... Na Biblioteca do Ó, em Tiradentes, preparou jantares ao gosto setecentista, dos tempos áureos do metal precioso que reluzia por aqui... 

     



Duas das obras da autora Cida Fraga Chaves. Acervo: Instituto Cultural Biblioteca do Ó.

Cida Fraga Chaves é uma mulher contemporânea no sentido stricto sensu da palavra. Defensora dos direitos humanos, uma das pioneiras na batalha para se implantar em Minas Gerais a “Delegacia da Mulher”, que agora completa 40 anos. Participante do projeto Livro de Graça na Praça, em Belo Horiozonte. Idealizadora da Amarcha-Associação de Mulheres Artesãs de Coronel Xavier Chaves, objetivou a melhoria de qualidade de vida e renda para as mulheres da comunidade. Atuante na campanha “Diretas Já”, lutou para romper aquele período nebuloso e dos anos de chumbo. É uma cidadã da esquerda, firme, defensora irredutível da Democracia e principalmente defensora dos Direitos da Mulher.

Em nossas manifestações em prol da Educação e da Democracia, no Largo das Forras, em Tiradentes, tivemos o privilégio de contar com o apoio e a presença do casal Rubens Resende Chaves e Cida Fraga Chaves.

 

Cida Fraga Chaves em nossa manifestação em defesa da Educação. Largo das Forras, Tiradentes. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Rubens Resende Chaves em nossa manifestação em defesa da Educação. Largo das Forras, Tiradentes. Fotografia: Luiz Cruz. 

 

O Sobrado, onde vive o casal Chaves, sempre foi cenário de saraus literários, de concertos didáticos, de encontros filosóficos e políticos e de serestas com muita cantoria. É casa com muitas obras de arte, inúmeros livros, bom café e comida deliciosa. O Sobrado foi implantado num terreno vasto, com frondosas árvores, esculturas dos artistas regionais e até um relógio do sol.  Tudo muito bonito. Mas o ambinte mais acolhedor é a cozinha, com os seus utensílios e o seu altar – a juntar os seus santos devocionais, emblemas e a frase pragmática que rege a vida do casal: Democracia = Civilidade.

 

Altar da Democracia. Cozinha do Sobrado. Coronel Xavir Chaves. Fotografia: Luiz Cruz. 

   


O Sobrado, Rubens Resende Chaves e o relógio do Sol. Coronel Xavier Chaves. Fotografia: Luiz Cruz. 

 

Enquanto pôde, Cida Fraga Chaves participou das atividades culturais do Campo das Vertentes e sempre levou contribuições significativas. Nos sucessivos encontros para a criação dos circuitos turísticos mineiros, participamos e registramos a presença dela. A ideia e a defesa do nome do “Circuito Turístico Trilha dos Inconfidentes” foi dela. Um acerto e tanto. É o mais importante que temos, onde os ecos da luta pela Independência de Brasil e a Inconfidência Mineira se fazem presentes. Os inconfidentes do Rio das Mortes são um marco definitivo em nessa história. 

 


A Comarca do Rio das Mortes conseguiu boa mobilização dos fazendeiros, mineradores, comerciantes e do clero. E ainda, de muitas mulheres, que atuaram em suas propriedades e nos arraiais fizeram circular à boca pequena o sonho libertário e teceram uma rede de informações.

Ao percorrer as páginas do livro Mulheres Insurgentes na Inconfidências Mineira, encontramos muito nomes, histórias e memórias de personagens ausentes dos materiais pedagógicos e didáticos brasileiros. Até Hipólita Jacinta Teixeira de Melo que foi a única mulher a ter atuação direta no movimento inconfidente teve seu nome esquecido e por tantas décadas... Agora, elas estão em destaque.

 

 

Antônia da Encarnação Xavier – Maria Alves Preto – Antônia da Graça (Ilhoa) – Júlia Maria da Caridade (Ilhoa) – Helena Maria de Jesus (Ilhoa) – Hipólita Jacinta Teixeira de Melo – Antônia de Jesus e Sousa – Antônia Rita de Jesus Xavier – Rita de Jesus Xavier – Izabel Querubina de Oliveira Maciel – Ana Maria Bernardes – Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira – Maria Policena Bueno da Silveira – Francisca Arcângela de Sousa – Clara Maria de Melo – Gertrudes de Camargo e Toledo – Ana Pedrosa de Moraes – Escolástica Dionísia de Toledo – Ana Joaquina Sofia de Jesus – Francisca da Silva de Oliveira – Joana Cândida de São Bernardo – Madalena Fernandes de Moraes – Francisca Cândida de Resende – Senhorinha Gomes Pereira – Ana Antônia Umbelina de Paiva – Maria Theresa de Jesus Steves – Gertrudes Maria de Camargo – Inês de Navarra – Ana Maria Bernardes Gonçalves Lara  Isabel da Benguela

 


Hipólita Jacinta era filha de Pedro Teixeira de Carvalho e Clara Maria de Melo, casou-se com o coronel Francisco Antônio de Oliveira Lopes. O casal viveu na Fazenda da Ponta do Morro, no sopé da Serra de São José. Eles não tiveram filhos, mas criaram dois meninos que foram abandonados na porta de sua casa. Cida Fraga Chaves aprofundou suas investigações e nos trouxe dados sobre os dois filhos adotivos de Dona Hipólita. Um deles é resultado de grave violência sexual contra a jovem Maria Policena Bueno da Silveira, a irmã de Bárbara Heliodora.

Dona Hipólita teve seus bens confiscados pela Coroa Portuguesa, por sua participação na Inconfidência Mineira, mas conseguiu reaver boa parte deles. Rica, foi dona de algumas fazendas, uma delas no Arraial da Laje, propriedade limítrofe com a de outros inconfidentes: Padre Toledo e José de Resende Costa.

Conseguimos entender um pouco mais sobre a inconfidente Dona Hipólita Jacinta ao analisar o seu Testamento e como ela compartilhou os seus bens com generosidade. Esse Testamento foi publicado no Autos de Devassa da Inconfidência Mineira, no volume 9, p. 429- 437.

A Fazenda da Ponta do Morro foi demolida em 1929. Existe um desenho da edificação e da capela, publicado no livro De Prados, da “Ponta do Morro” para a Liberdade, p. 22, mas ao considerar que a construção era da primeira metade do século XVIII, as soluções arquitetônicas seriam diferentes desse desenho.

 

Fazenda do Pombal. Fonte: De Prados, da “Ponta do Morro”, para a Liberdade.

 

Em 1983 realizamos uma expedição cultural ao Sítio Arqueológico Fazenda da Ponta do Morro e registramos que ainda subsistiam vestígios do alicerce, socos e soleiras da edificação. Atualmente, não há mais vestígios, a vegetação ocupou o local.

 

Yves Alves no Sítio Arqueológico Fazenda da Ponta do Morro, 1983. Prados-MG.

 Fotografia: Luiz Cruz.

 

 

Luiz Cruz no Sítio Arqueológico Fazenda da Ponta do Morro, sentado em uma das soleiras, 1983. Prados-MG. Fotografia: Yves Alves, acervo: Luiz Cruz.

 

 

Sítio Arqueológico Fazenda da Ponta do Morro, 2025. Prados-MG. Fotografia: Luiz Cruz.

  

Sítio Arqueológico Fazenda da Ponta do Morro, 2025. Prados-MG. Fotografia: Luiz Cruz.

 

A partir de intervenção do MPMG-Ministério Público de Minas Gerais, o Sítio Arqueológico Fazenda da Ponta do Morro foi contemplado com o instrumento de tombamento, por parte da municipalidade. Mais uma vez, agora tombado, está esquecido e abandonado.

Dona Hipólita Jacinta Teixeira de Melo foi uma figura ímpar na história colonial brasileira, rica, culta, iluminista e com trânsito entre os mais abonados e influentes daquele período. De tempos em tempos se lembram dela. Já foi condecorada com a Medalha da Inconfidência e recebeu um monumento bem no centro de Prados.


Diploma da Medalha da Inconfidência, conferida a Hipólita Jacinta Teixeira de Melo. Fonte: Fonte: De Prados, da “Ponta do Morro”, para a Liberdade

 

Monumento em homenagem à Hipólita Jacinta Teixeira de Melo. Prados-MG. Fotografia: Luiz Cruz. 

 

Em Ouro Preto, no Museu da Inconfidência, no Panteão da Inconfidência Mineira, estão os restos mortais de alguns dos inconfidentes. Na Semana da Inconfidência Mineira, de 2011, com a presença da presidente Dilma Roussef, do governador Antônio Anastasia e do prefeito Ângelo Oswaldo Araujo Santos, depositaram os restos mortais de mais três inconfidentes: o capitão José de Resende Costa (1730?-1798), do Dr. Domingos Vital de Barbosa Lage (1761-1793) e do fazendeiro João Dias da Mota (1743-1793). A cerimônia contou com ainda com a presença do prefeito de Resende Costa e vários representantes resende-costenses.

 

Panteão da Inconfidência, Museu da Inconfidência Mineira. Ouro Preto-MG. Fotografia: Luiz Cruz.


Efetivamente, coube à Presidente da República, Dilma Roussef, ao Governador de Minas, Antônio Anastasia e ao Prefeito Ângelo Oswaldo de Araújo Santos a honra de depositarem mais três urnas com os restos mortais de inconfidentes nesse Panteão.

Após a identificação dos restos mortais de José Resende Costa, uma equipe da Unicamp-SP, através de longa pesquisa científica, fez a reconstituição facial do inconfidente. Ele é o único contemplado com essa reconstituição que apresentou os seus traços fisionômicos.


A presidente Dilma Roussef e o governador Antônio Anastasia, cerimônia no Panteão da Inconfidência, Museu da Inconfidência, Ouro Preto-MG, 2011.  Fonte: Jornal das Lajes.

 

O prefeito Adilson Avelino de Resende e resende-costenses nas cerimônias da Semana da Inconfidência. Ouro Preto-MG, 2011. Fonte: Jornal das Lajes. 

 

Em 2023, na Semana da Inconfidência Mineira, o Panteão da Inconfidência recebeu uma lápide em homenagem à inconfidentes Dona Hipólita Jacinta Teixeira de Melo, onde se juntou um pouco de terra da Fazenda da Ponta do Morro. A cerimônia foi presidida pela ministra do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia Antunes Rocha e o prefeito Ângelo Oswaldo de Araújo Santos. Participaram ainda o diretor do Museu da Inconfidência Alex Calheiros, as cantoras Zélia Duncan e Ana Costa, o estilista Ronaldo Fraga e a professora Heloísa Starling, da UFMG.

 

A ministra Cármen Lúcia, o prefeito Ângelo Oswaldo e convidados na cerimônia da instalação da lápide em homenagem à Hipólita Jacinta Teixeira de Melo, Panteão da Inconfidência. Museu da Inconfidência, Ouro Preto-MG, 2023. Fonte: Diário de Ouro Preto. 


 

Lápide em homenagem à Hipólita Jacinta Teixeira de Melo, Panteão da Inconfidência. Museu da Inconfidência, Ouro Preto-MG, 2023. Fotografia: Luiz Cruz

 

Finalmente, Dona Hipólita Jacinta Teixeira de Melo está presente no Panteão da Inconfidência e reconhecida como a única mulher que teve participação efetiva na linha de frente do movimento que idealizou o Brasil independente, livre, uma República, conforme pregava o iluminista Abade Raynal.

Ao seguir as páginas do livro de Cida Fraga Chaves, a história de Dona Hipólita Jacinta é um fio condutor para muitas histórias, a iluminar as outras mulheres, que sonharam e que sofreram naqueles tempos difíceis e de forte opressão.

O tema Inconfidência Mineira vem sendo abordado desde 1792 e com certeza se tornou inesgotável. As mais variadas manifestações artísticas já abordaram o tema, do cinema à opera. Um dos livros mais consistentes e dramáticos sobre o tema é o Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles ilustrado por Renina Katz. Obra expressiva, mas onde o nome de Dona Hipólita Jacinta não figura.

 

Acervo: Luiz Cruz.

 

O Grupo Giramundo criou o espetáculo Tiradentes, em 1992, com 70 bonecos e a figura central é a do Alferes Joaquim José da Silva Xavier. Altivo, com seu semblante de “assustado” e os olhos azuis. Entre os personagens aparecem o Padre Toledo e Dona Maria I, que condenou os inconfidentes religiosos ao exílio em Portugal, os demais para a África e apenas o líder “a morte natural na forca”. É impressionante a solução plástica encontrada para cada um personagem, mas a “Rainha Louca” se destaca.


Giramundo. Exposição na Grande Galeria do Palácio das Artes, Belo Horizonte-MG. Bonecos do espetáculo Tiradentes, 1992. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Giramundo. Boneco do Tiradentes, 1992. Fotografia: Luiz Cruz.

 

      

Giramundo. Boneco de Dona Maria I, 1992. Fotografia: Luiz Cruz.
 

Beata e louca, Dona Maria I não teve piedade do Alferes Tiradentes; sua morte na forca, seu corpo esquartejado e as partes expostas em logradouros públicos, aterrorizou o povo; mas não destruiu as sementes plantadas por tantos homens e mulheres comprometidos com os anseios de liberdade.

A artista Yara Tupinambá, em 1969, pintou um painel que se encontra no saguão de Reitoria da UFMG, com o título: Condição primeira para a cultura é a liberdade. Trata-se de obra expressiva e que visualmente apresenta cenas do drama vivenciado por mulheres envolvidas indiretamente nos episídios libertários e históricos, a partir de 1720. 

        

Detalhes do painel Condição primeira para a cultura é a liberdade, obra de Yara Tupinambás, 1969. Reitoria da UFMG. Fotografias: Luiz Cruz.

 

E o fio condutor das narrativas do casal Rubens Resende Chaves e Cida Fraga Chaves segue conduzindo histórias. Eles são proprietários do Engenho Boa Vista, que em 1755 pertencia a Domingos da Silva Xavier, o irmão mais velho do Alferes Tiradentes. Posteriormente, passou para Ana Rita de Jesus Xavier, a irmã mais nova, de quem Rubens descende. Esse é o engenho mais antigo do Brasil em funcionamento e produz a Cachaça Século XVIII, uma das mais premiadas de Minas Gerais. Agora seu filho Nando e os seus netos do casal tocam o velho engenho e mantém viva a tradição familiar de produzir boa cachaça.

 

Nando Chaves, filho do casal Cida Chaves e Rubens Chaves. Engenho Boa Vista. 

Coronel Xavier Chaves. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Francisco Chaves, neto do casal Cida Chaves e Rubens Chaves. Engenho Boa Vista.

 Coronel Xavier Chaves. Fotografia: Luiz Cruz.


O pai do Alferes Tiradentes, Domingos da Silva Santos, na Fazenda Pombal, também produziu cachaça. Da edificação original dessa propriedade, subsistem apenas as ruínas do engenho.

 

Aspecto das ruínas do engenho da Fazendo do Pombal, onde nasceu Joaquim José da Silva Xavier. Flona – Ritápolis-MG. Fotografia: Luiz Cruz.

  

A Fazendo do Mosquito, a origem do município Coronel Xavier Chaves e a região se vinculam fortemente à sede de São José, a atual Tiradentes. O avô do Alferes Tiradentes, Domingos Xavier Fernandes, foi um dos pioneiros a se fixar em São José e ocupou cargo na primeira câmara da vila. Já o pai do Alferes, Domingos da Silva dos Santos, ocupou os cargos de vereador e almotacel na Câmara da Vila de São José. De geração em geração, o fio condutor da história segue conectando os descendentes do Alferes Tiradentes, que deixou uma frase memorável: “que havia de se armar uma meada tal, que em dez, vinte ou cem anos se não havia de desembaraçar”. E a saga continua...


Rubens Chaves e Cida Fraga Chaves, na cozinha do Sobrado. Coronel Xavier Chaves. 

Fotografia: Luiz Cruz.

  

Cida Fraga Chaves e seus bisnetos, no Sobrado. Coronel Xavier Chaves. 

Fotografia: Luiz Cruz.

 

No período em que Tiradentes foi Comarca, o Fórum de Tiradentes funcionou no prédio do Câmara, foi onde Dr. Tobias Chaves, o pai de Rubens Chaves, iniciou sua brilhante carreira jurídica. Depois, ele foi Oficial de Justiça em São João del-Rei e o responsável pelo Fórum da cidade vizinha. O menino Rubens Chaves vinha ao Fórum, no trem da EFOM, trazer ou levar encomendas para o pai.

 

Varanda da Câmara Municipal, por ocasião do lançamento do livro Memória Tropeira

Tiradentes-MG. Fotografia: Luiz Cruz. 

 

O busto do Alferes Tiradentes e o prédio da Câmara Municipal de Tiradentes. 

Fotografia: Luiz Cruz. 

 

O lançamento do livro Mulheres Insurgentes na Inconfidência Mineira será na sede da Câmara, edificação setecentista com muitas histórias, onde atuaram os familiares e descendentes do Alferes Joaquim José da Silva Xavier.

 

Luiz Antonio da Cruz


Agradecimentos: Maria José Boaventura, Ângelo Oswaldo Araújo dos Santos, Bernardo do Célio, Câmara Municipal de Tiradentes, Instituto Cultural Biblioteca do Ó, Eduardo Leser, Maria Luiza Boaventura, Grupo Giramundo.

 

Referências:

Autos de Devassa da Inconfidência Mineira. Brasília, v. 9, 1977.

CHAVES, Cida Fraga da Silva. Desvarios Inconfidentes. Antologia Literária. Academia Baurense de Letras. Bauru, SP, Persistere Editora, 2022.

COELHO, Ronaldo Simões. Hipólita, a Mulher Inconfidente. Belo Horizonte: Armazém de Ideias, 2000.

CRUZ, Luiz Antonio da. A inconfidente e sua cidade. Hipólita Jacinta Teixeira de Melo.

Disponível: https://saojoaodelreitransparente.com.br/works/view/33 

CRUZ, Luiz Antonio da. Cida Chaves – a dama de dois andares e sótão. Disponível em:

https://www.blogger.com/u/0/blog/post/edit/6208876779750302898/8513620985246589091?hl=pt-BR 

CRUZ, Luiz Antonio da. Tiradentes e o Alferes Tiradentes. Tiradentes: Mandala Produção, 2022.

CRUZ, Luiz Antonio da. Dona Hipólita - Bicentenário da Independência 1822-2022. Disponível em:

https://www.blogger.com/u/0/blog/post/edit/6208876779750302898/1477177655282111887?hl=pt-BR 

VALE, Paulo de Carvalho. De Prados, da “Ponta do Morro”, para a Liberdade. Belo Horizonte: Armazém de Ideias, 2000.


https://www.diariodeouropreto.com.br/homenagem-a-hipolita-jacinta-teixeira-de-melo-lider-da-conjuracao-mineira/

https://www.jornaldaslajes.com.br/integra/resende-costa-homenageia-seu-heroi-inconfidente-jose-de-resende-costa-o-pai/723/

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Publicações sobre patrimônio cultural e ambiental de Tiradentes e região - abordando o patrimônio material e imaterial.

Postagens mais visitadas.