Auguste de Saint-Hilaire: entre a

Serra do Lenheiro e a Serra da Canastra

 

 

O governo Português concedeu-me todos os passaportes que eu tinha necessidade {para minha viagem a Minas} com uma rapidez e boa vontade que eu não posso deixar de elogiar. Pouco antes eu havia recebido permissão no palácio do Rei, em Santa Cruz, para levar tudo que poderia precisar para a minha alimentação; e vois podeis imaginar, senhor, não sou eu quem pediu esse favor.

 

Carta de Saint-Hilaire a Joseph Deleuze, 4 de dezembro de 1816. (Biblioteca Central do MNHN, Ms 2673, pièce 14)

 

 

 

Auguste François César Prouvansal de Saint-Hilaire (1779-1853) nasceu a 4 de outubro, em Orléans, na França, onde faleceu. Foi na sua região natal, no entorno de Orléans, que realizou os seus estudos iniciais dedicados à Botânica, conforme os seus primeiros escritos científicos. Oriundo de família rica de Loiret, filho de Augustin François Prouvansal de Saint-Hilaire e Anne Guillaume Antoinette Jogues de Guédreville et de Ponvillé, o casal teve outros filhos: François Casimir, Antoinette Félicité e Clotilde-Henriette.

  

Auguste Saint-Hilaire. Acervo: Ministério Público de Minas Gerais.

 

Auguste de Saint-Hilaire estudou com os Beneditinos de Solesmes, no colégio de Pontlevz, onde se ensinava línguas estrangeiras como inglês e alemão e matemáticas. Estudou comércio na Holanda e ainda muito jovem se interessou pela entomologia. Em 1802, regressou à casa dos pais. Passou a se dedicar aos estudos botânicos, esteve em Paris e teve aulas com Antoine Laurent Jussieu e René-Louis Desfontaines, professores de Botânica do Museu de Nacional de História Natural. No Bulletins des sciences physiques et médicales et agriculture d’Orléans, em 1810, teve sua primeira publicação dedicada à flora, sobre as plantas da região de Orléans. Na Faculdade de Ciências de Paris, a 3 de agosto de 1823, defendeu a tese de doutoramento, sob o título: Voyage dans l’intérieur du Brésil, la province Cisplatine et les missions dit de Paraguay. A partir de 1834, foi professor adjunto de Botânica da Faculdade de Ciências da Sorbonne; professor titular em 1847 e se aposentou em 1852.

 

Solar da Família Saint-Hilaire, em Orléans, França. Fonte: F. Bouazzat, MNHN, Paris.

 

Em 1816, a convite do Governo Francês, viajou ao Brasil, embarcou em Brest, no Hermione, acompanhado pelo embaixador extraordinário da França, Charles Emmanuel de Montmorency. Então, contava com 37 anos. Antes, preparou-se para a viagem, valeu-se da literatura disponível daquela época, conforme suas anotações. Saint-Hilaire retornou à França em 1822. 

A presença do naturalista Saint-Hilaire reforçou mais uma vez o interesse dos franceses pelo Brasil, da expedição de Villegagnon, com participantes como André Thevet e Jean de Léry – o sonho de conquistar territórios e implantar a “França Antártica”, a tantas outros viajantes, como o poeta Blaise Cendrars ou o antropólogo Claude Lévi-Strauss – dos “tristes trópicos”.

No Rio de Janeiro, as primeiras expedições de Auguste Saint-Hilaire ocorreram na companhia de Georg Heinrich von Langsdorff; depois, juntos, viajaram para Minas Gerais. Ao longo de sua estada no Brasil – de 1816 a 1822, percorreu pelas províncias do Espírito Santo, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Minas Grais. Coletou muito material, resultando numa vasta obra, com onze volumes publicados. O naturalista passou pelo território mineiro quatro vezes:

 

 

SAINT-HILAIRE em Minas Gerais

 

 

1ª Passagem

Barbacena, Vila Rica (Ouro Preto), Jequitinhonha, Minas Novas, Rio São Francisco, Sabará, Caeté (Vila Nova da Rainha), São João del-Rei e São José (Tiradentes)

 

2ª Passagem

Vila Rica (Ouro Preto), Madre de Deus, São João del-Rei, Arraial de Conceição (Conceição da Barra de Minas), Nossa Senhora de Oliveira (Oliveira), Tamanduá (Itapecerica), Piumhy (Piumhi), Bambuí, Formiga, São Roque de Minas, Serra da Canastra, Araxá, Paracatu

 

3ª Passagem

Vindo de Goiás, rumo a São Paulo:

Aldeia de Rio as Pedras (Cascalho Rico), Engenho de Furnas, Aldeia de Santana (Indianópolis), Tijuco, Farinha Podre (Uberaba), Rio Grande

 

4ª Passagem

Barbacena, São João del-Rei, Vila Rica (Ouro Preto), Baependi, Serra da Mantiqueira, Pouso Alto,

Passo Quatro

Quadro elaborado por Luiz Cruz.


     

Acervo: Luiz Cruz.

 

Em Viagem pelo Distrito dos Diamantes e litoral do Brasil, o autor registrou sua passagem pela região do Rio das Mortes, em especial São João del-Rei e São José (atual Tiradentes), deixou suas impressões sobre a Serra do Lenheiro e a Serra de São José. Detalhou sua travessia na Ponte do Porto, em madeira  coberta “por um pequeno telhado de telhas ocas sustentado por postes”. Mas aqui, vamos enfatizar mais sobre o livro Viagem às nascentes do Rio São Francisco, quando o autor passou mais tempo em São João del-Rei e se preparou para percorrer os caminhos até a chegada à Serra da Canastra – um dos lugares mais bonitos do Brasil.

No início de fevereiro de 1819, Saint-Hilaire chegou ao Rancho do Rio das Mortes Pequeno, onde vivia o casal o Sr. Anjo, sua companheira D. Isabel e a filha D. Rita. O naturalista estava acompanhado pelo francês Yves Prégent – que coletava as aves e empalhava para a coleção, ainda, com Laruotte, José Mariano e o indígena Firmiano. O pequeno grupo já estava sem tocador – o que ficava encarregado de conduzir a tropa, cuidar dos animais e supervisionar os arreios.

Após instalado, no dia seguinte Saint-Hilaire visitou São João del-Rei, distante a uma légua e meia. No caminho cruzou com uma serpente peçonhenta, um urutu  (Bothrops alternatus), apanhou uma vara e a abateu, recolheu e a integrou à coleção, que postriormente fora enviada à Paris. Inicialmente, planejara ficar hospedado na casa do padre, em São João del-Rei, mas acabou preferindo ficar no Rancho do Rio das Mortes Pequeno. Indo e voltando, coletou plantas na Serra do Lenheiro, que neste livro refere-se a ela como “Serra de S. João, eivada de rochas nuas e acinzentadas”.  

Para ficar mais claro, o naturalista explicou: “São dois os rios que têm o triste nome de Rio das Mortes. Um deles, que faz a ligação com o Rancho, foi distinguido com o epíteto de Pequeno por ser bem menor do que o outro. Deságua  no Rio das Mortes Grande”. [...] “ele vai encontrar-se com o Rio Grande perto de Ibituruna”.

 

     
Arnica (Lichnophora spp.) e Bignonaceae, Serra do Lenheiro, São João del-Rei. 
Fotografias: Luiz Cruz.

 

 

Bignonaceae, Serra do Lenheiro. São João del-Rei.  Fotografia: Luiz Cruz.

 

Além coletar as plantas e aves, Saint-Hilaire deixou valiosos registros sobre o cotidiano por onde passou, das atividades da mineração e os impactos ao meio ambiente, do trânsito das tropas, da criação de porcos e bovinos, descreveu as paisagens. Observou as plantações de milho, feijão e algodão. Observou as habitações da sede, das fazendas e das moradias dos escravizados. Deixou anotado: “Há, porém, uma outra influência, que age constantemente sobre os brasileiros de uma maneira bastante perniciosa – a da escravatuta”. Um dos seus registros mais curiosos foi a “Procissão das Cinzas”, promovida pela Confraria de São Francisco, de São João del-Rei:

 

Por volta das cinco horas a procissão entrou  na rua onde morava o pároco. À frente vinham três mulatos trajando túnicas cinzentas, semelhantes aos trajes com que se apresentam, em nossas óperas, os gênios do Mal. Um deles levava uma grande cruz de madeira e os outros dois seguravam, cada um, um longo bastão com uma lanterna na ponta. Imediatamente atrás deles vinha um outro personagem, vestido com um traje muito justo, de tecido amarelado, no qual haviam sido desenhados com tinta negra os ossos que compõem o esqueleto. Esse personagem representava a Morte, e em meio a grandes palhaçadas fingia golpear os passantes com uma foice de papelão. A uma regular distância do primeiro grupo vinha outro, precedido de hum homem trajando um manto cinzento e trazendo um punhado de cinzas sobre uma bandeja. Ia de um lado a outro da rua como que tentando marcar com elas a testa dos espectadores. Os personagens que o seguiam eram uma mulher branca e cheia de atavios e um outro homem de manto cinza levando na mão um ramo de árvore carregado de maçãs, no qual tinha sido enrolada uma figura representando uma serpente. O homem representava Adão e a mulher, que fazia o papel de Eva, fingia colher de vez em quando uma maçã. Atrás deles vinham os meninos. Um, representando Abel, fiava um pedaço de pano de algodão e o outro dava golpes no chão com uma enxada, como se cavasse a terra. Esses dois grupos foram seguidos por treze andores carregados pelos irmãos da Confaria de S. Francisco. Debaixo dos andores viam-se imagens de madeira de tamanho natural, pintadas  vestidas com roupas de verdade. Os treze andores seguiam em fila e a uma distância considerável uns dos outros. Num deles vinha Jesus orando no Jardim das Oliveiras, em outro Santa Madalena e a bem-aventurada Margarida de Cortone, ambas de cabelos soltos e trajando mantos de um tecido cinzento. No terceiro estava S. Luís, Rei da França e no quarto o bem-aventurado Yves, Bispo de Chartres. A Virgem, em toda a sua glória, cercada de nuvens  querubins, também estava presente em um dos andores. Outra imagem representava S. Francisco recebendo do Papa a aprovação dos estatutos de sua ordem, e em outro grupo encenava-se o milagre dos estigmas. Finalmente, via-se S. Francisco sendo beijado por Jesus Cristo. [...] Após a passagem dos andores surgiu um grupo de músicos, os quais cantaram um motete à porta da casa do vigário. Em seguida veio o padre com o Santo Sacramento, e finalmente o povo fechando a marcha. À passagem de cada andor todos os assistentes faziam genuflexão, mas logo em seguida punham-se a conversar despreocupadamente com os vizinhos. Havia anos que não se realizava a Procissão de Cinzas, e não se podia deixar de achar um certo encanto nessa cerimônia irreverente, em que ridículas palhaçadas se misturavam com o que a religião católica tem de mais respeitável. (Saint-Hilaire, 1975, p. 65-66).

No Rio das Mortes Pequeno vivenciou experiências complexas nas tentativas de se encontrar um novo tocador. Yves Prégent adoecera gravemente e foi transferido para um albergue. Prégent faleceu no dia 7 de março e foi sepultado com decoro, “na igreja paroquial de S. João del-Rei”. O indígena Firmiano também adoeceu, mas teve sua saúde recuperada. José Mariano observava o trabalho feito por Prégent e após seu falecimento, passou a “preparar os pássaros”.

 

Catálogo de objetos, de Saint-Hilaire, lista das aves, pica-pau de São João del-Rei. Fonte: Página 1, 1819, F. Bouazzat e P. Lafaiete, MNHN, Paris.

 

 

Para-tudo (Gomphrena officialis), prancha de Saint-Hilaire (1824) e a planta na Serra do Lenheiro, São João del-Rei. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Numa de suas idas e vindas, seguindo ao longo do Rio das Mortes Pequeno, assim que deixava o Rancho, Saint-Hilaire passou “por uma capela pertencente à paróquia de S. João del-Rei  que tem o nome de S. Antônio das Mortes.” Essa edificação ficava bem próxima às margem do rio e fora destruída por uma enchente. Subsitem os vestígios da capela, a conformar um dos mais intessantes sítios arqueológicos de Minas Gerais, aberto à visitação. No interior havia o retábulo-mor, dedicado ao orago e os retábulos colaterais à Nossa Senhora do Rosário e a São Miguel; no exterior ficava a pia batismal – subsistente. A imagem do padroeiro Santo Antônio se encontra na capela que foi construída na sede do distrito Rio das Mortes. 

 

Rio das Mortes Pequeno, São João del-Rei. Fotografia: Luiz Cruz.


 
Sítio Arqueológico da Capela de Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno. São João del-Rei. Fotografia: Luiz Cruz.


Pia batismal. Sítio Arqueológico da Capela de Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno. São João del-Rei. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Imagem de Santo Antônio, da antiga Capela de Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno. São João del-Rei. Fotografia: Luiz Cruz. 

 

No caminho, entre o Rancho e São João del-Rei, o naturalista deve ter passado pelo Cruzeiro do Ataio, um ponto estratégico da ligação com a sede e o povoamento Lavras do Funil, o atual município de Lavras. 




   Caminho entre Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno e São João del-Rei. Cruzeiro do Ataio. Fotografias: Luiz Cruz.


Sem tocador, mas com uma carta de recomendação ao Capitão-Mor de Tamanduá, para lhe conseguir um novo ajudante, Saint-Hilaire deixou o Rancho do Rio das Mortes Pequeno. Anotou que a despedida fora emocionante, o Sr. Anjo, um homem já na altura dos seus setenta anos, o abraçou e chorou – “dava provas da bondade de seu coração”. Partiu no dia 19 de março de 1819, com destino às nascentes do Rio São Francisco. 


Saint-Hilaire rumo à Serra da Canastra

 

Sem o tocador, sentido falta do companheiro Yves Prégent, falecido e sepultado em São João del-Rei, o naturalista francês seguiu viagem a enfrentar muitas adversidades ao longo do trajeto. Em algumas localidades ele e seus companheiros foram recebidos condignamente e nem precisou apresentar suas cartas de recomendação; mas em certas paradas tiveram que pousar em lugares sujos, repletos de bicho-de-pé (Pulex penetrans) e os ferozes insetos pretos chamados de borrachudos (Simuliidae). Passaram frio, desconforto e tiveram alimentação parca. Sofreram com os ventos das madrugadas gélidas, as chuvas torrenciais e as travessias perigosas de córregos e rios.

Passaram por situações em que mesmo apresentando suas credenciais, passaporte, cartas de recomendação e o dinheiro, pouco favoreceu e tiveram que resistir à precariedade dos pousos, para a alimentação e o descanso.

 

Em Oliveira 

Nossa Senhora de Oliveira é uma ocupação antiga e num ponto estratégico para os viajantes, pois os caminhos que vão para Barbacena, Campanha, Formiga e Goiás, passam por ali. Trata-se de uma das raras localidades surgidas sem a exploração aurífera. Oliveira integrava ao termo da Vila de São José – a atual Tiradentes.

O naturalista descreveu que teve que passar a noite num “rancho imundo, misturado com tropeiros de todas as cores. Havia sacos de algodão amontoados em todos os cantos e cangalhas empilhadas umas sobre as outras. Dois ou três fogões cozinhavam a comida dos tropeiros”. Todos ficaram muito curiosos com o trabalho de José Mariano, que preparava os pássaros para empalhar.

Saint-Hilaire descreveu as casas do povoado de Oliveira:

 

De um modo geral são caiadas, com portas e janelas pintadas de amarelo e molduradas de cor-de-rosa, o que forma um contraste bastante agradável com as paredes brancas. Uma grande parte dessas casas, mesmo as mais bonitas, só são ocupadas no domingo, pois pertencem a fazendeiros que passam o tempo todo em suas terras e só vão ao povoado nos dias em que a missa é obrigatória.

 

Observou que, em Oliveira, o comércio era forte, tinha várias lojas de tecidos, armarinhos, botequins, farmácia, albergues com ranchos, além de alfaiates, sapateiros, serralheiros e outros. Não deixou de destacar as duas igrejas e sobre a Matriz escreveu: “É uma igreja muito bonita no seu interior. Para orná-la foi empregada uma pedra de uma bela tonalidade verde”. Curiosa e positiva apercepção e anotações de Saint-Hilaire sobre Oliveira, que discordou plenamente dos registros de Johann Emanuel Pohl, ao depreciar as edificações e os moradores da localidade.

 

Fachada da Matriz de Nossa Senhora de Oliveira. Oliveira. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Retábulo-mor da Matriz de Nossa Senhora de Oliveira. Oliveira. Fotografia: Luiz Cruz.

 

 Em Tamanduá

A comitiva de Saint-Hilaire seguiu para Tamanduá – a antiga Vila de São Bento do Tamanduá, que integrava ao termo da Vila de São José, emancipada em 1789 e é o atual município de Itapecerica. Os descobertos auríferos impulsionaram a povoação, que logo prosperou. As lavras de ouro ocuparam todo o entorno do lugar, mas a agricultura se fortaleceu e boa parte da população passou a se dedicar às plantações, sendo o fumo extensamente cultivado nos arredores, segundo o naturalista.

 

São Bento, Matriz de São Bento, Itapecerica. Fotografia: Luiz Cruz.


Além da igreja Matriz de São Bento, edificação de significativo porte, ainda conta com a Capela do Cordão de São Francisco, a de Nossa Senhora das Mercês e a de Nossa Senhora do Rosário.

 

Em Formiga 

O Arraial de Formiga tinha as ruas mal alinhadas e as casas esparsas. A igreja foi construída num largo fundo e estava sem teto e desprovida de ornamentação.

A economia girava em torno do cultivo de algodão e a criação de suínos. A boa localização no caminho para Goiás facilitava o escoamento da produção. Foi destacado que os ofícios de ferreiro e serralheiro eram lucrativos, pois estando na rota dos viajantes, a passagem das tropas de burros eram constantes e demandavam trabalhos.

 

Passando por Piumhi 

O Capitão-Mor de Tamanduá deu a Saint-Hilaire uma carta de recomendação ao Comandante de Piumhi, que não lhe recebera bem. Continuava sem tocador e precisava de um homem para lhe ajudar. Enfatizou que economicamente Piumhi dependia de Tamanduá, que a igreja Matriz de Nossa Senhora do Livramento ainda não possuía outras a ela subordinada.

Os habitantes de Piumhi eram na maioria agricultores e plantam principalmente algodão. Avistava-se pouco o gado, porque se embrenhava na mata para se proteger das mutucas. A picada desse inseto é dolorida e no campo, incomodava o gado e os cavalos.

Saint-Hilaire chegou a Piumhi no Domingo de Ramos, houve missa. Ele encontrou pelo caminho muita gente a voltar com as grandes folhas de palma benta. Logo se apresentou ao alferes, que substituía o comandante e pediu um alojamento e um tocador. Ficou instalado numa casa “com bastante conforto” e com a promessa de se encontrar um ajudante.



Matriz de Nossa Senhora do Livramento, padoeira de Piumhi; artefato lítico
encontrado na região da Serra de Piumhi. Fotografias: Luiz Cruz.


O surgimento do Arraial de Piumhi foi em decorrência de um acampamento para o combate aos escravizados fugidos e aquilombados. A região toda teve quilombos e foram severamente combatidos por Inácio Correia Pamplona (1729-1810). O único quilombo que teve sua localização definida foi o do Ambrósio, os demais tiveram a localização aproximada, tendo as capelas e as serras como referências, dentre eles dessa região: Oliveira, Tamanduá, Bamboy, Formiga, Cláudio, Ibiá e das serras da Canastra, Marcela, Piumhi, Negra, das Araras e outras. (Lima, 2016, p. 244-245).

 

Quilombo do Ambrósio, 1769. (ABN, 1988, p. 111). Fonte: Lima, 2018, p.240.

 

A região de Piumhi teve ocupação por povos ancestrais e no alvorecer do século XVIII, já havia referência desse lugar. Saint-Hilaire grafou a palavra Pium-i, nas anotações mais antigas aparecem Piu-i, Piüí, Piuhy, Pium-y, Pium-í, Piauí. O vocábulo Piu-i, de origem indígena, significa “água cheia de moscas” e na verdade, as águas quase paradas do rio são infestadas por esses insetos. (https://cidades.ibge.gov.br/brasil/mg/piumhi/historico).

Piumhi é o nome do município, da serra e do rio dessa região.

 

Chegando a São Roque

 

Ao passar pelo sopé da Serra de Piumhi, Saint-Hilaire já avistou a Serra da Canastra. “Finalmente, um pouco mais à direita e ainda mais distante, avistei no horizonte a Serra da Canastra, que bem merece esse nome, por ser comprida, lisa e arredondada em toda a sua extensão do seu topo, e cortada verticalmente nas suas extremidades.” “Essa montanha que, semelhante a um imenso cofre, mostra de longe sua massa imponente, pareceu-nos tão isolada. Não é o que ocorre, porém. Ela faz parte da Serra das Vertentes, [...] do planalto ou cadeia que limita a oeste a bacia do S. Francisco”. Na linha horizontal, a Serra da Canastra se descortina e o seu nome faz jus à sua formação, uma grande canastra assentada na bela Paisagem de Minas Gerais.

O naturalista francês passou diante da Capela de São Roque e viu as condições da edificação, “isolada no alto de um outeiro e é feita de madeira e barro, com paredes sem reboco, seu estado era miserável”. Anotou ainda, que um padre vem de vez em quando celebrar a missa.

 


Atual fachada e interior da atual Matriz de São Roque. São Roque de Minas. Fotografias: Luiz Cruz.

Saint-Hilaire foi acolhido, “Felisberto nos recebeu maravilhosamente bem.” Ele seria o guia para levá-lo à Cachoeira da Casca-d’Anta. Jantaram “leite e feijão”. A ocorrência de um incêndio cativou a atenção do naturalista, o fogo queimava o pasto vizinho e no dia seguinte, continuava. “O fogo ainda não estava totalmente extinto, e eu via aqui e ali labaredas vermelhas e crepitantes correndo rapidamente pelo capim e rolos de fumaça subindo lentamente para o céu.”

Manuel Lopes, sogro de Felisberto, levou Saint-Hilaire à Cachoeira da Casca-d’Anta. As observações do francês sobre a queda d’água são expressivas:

 

O estrondo que as águas da Cachoeira da Casca-d’Anta fazem ao cair é ouvido de longe, e a névoa extremamente fina que elas produzem é levada a uma grande distância pela deslocação do ar causada pela queda. [...] Para ter uma ideia de como é fascinante a paisagem ali, o leitor deve imaginar estar vendo em conjunto tudo o que a Natureza tem de mais encantador: um céu de um azul puríssimo, montanhas coroadas de rochas, uma cachoeira majestosa, águas de uma limpidez sem par, o verde cintilante das folhagens e, finalmente, as matas virgens, que exibem todos os tipos de vegetação tropical. (Saint-Hilaire, 1975, p. 104-105). 

 

Os ambientes formados pela Serra da Canastra e a Cachoeira da Casca-d’Anta deixaram impressionado o experiente naturalista Auguste de Saint-Hilaire. Finalmente, acompanhado pelo indígena Firmino, o francês partiu em caminhada para o topo da serra e como atento botânico, registrou: “À exceção da Serra Negra, não vi nenhuma outra parte uma variedade tão grande de plantas quanto na Serra da Canastra”. Destacou a presença de várias espécies de canela-de-ema – Vellozia, as Eriocauláceas, as Melastomáceas e outras: “Aliás, em pouco tempo recolhi cinquenta espécies de plantas que ainda não tinha visto nessa viagem, sendo que várias eram para mim inteiramente desconhecidas”.

 

Canela-de-ema (Vellozia). Parque Nacional da Serra da Canastra. São Roque de Minas. Foto:Luiz Cruz.

 

Canela-de-ema (Vellozia). Parque Nacional da Serra da Canastra.São Roque de Minas. Foto: Luiz Cruz.

 

Sempre-viva (Eriocaulaceae). Parque N. da Serra da Canastra.São Roque de Minas. Foto: Luiz Cruz.

 

Sempre-viva (Eriocaulaceae). Parque N. da Serra da Canastra. São Roque de Minas. Foto: Luiz Cruz.

 

Saint-Hilaire caminhou pelo topo da Serra da Canastra onde se encontram as nascentes do Rio São Francisco, apreciou e coletou muitas plantas. Mas observou apenas um animal, um “macaco”. A consequência da ausência de mamíferos pode ter sido pela atuação dos “habitantes do sertão são todos caçadores entusiastas, matando qualquer animal cuja pele possa ser objeto de comércio. Não passei por uma única propriedade que não contasse com numerosos cães de caça”. Numa fazenda, viu um filhote de anta (Tapirus terrestres) morto por ataque de cães.

 

Escultura de São Francisco de Assis, nas nascentes do Rio São Francisco. Parque Nacional da Serra da Canastra. São Roque de Minas. Fotografia: Luiz Cruz.

    


Nas nascentes do Rio São Francisco, águas cristalinas e muitos peixes. Parque Nacional da Serra da Canastra. São Roque de Minas. Fotografias: Luiz Cruz. 

 

Chegar à Serra da Canastra onde se encontram as nascentes do Rio São Francisco foi um dos desafios da grande saga vivenciada por Saint-Hilaire no Brasil. Seus relatos confirmam as expectativas tão positivas sobre essa região mineira, tão peculiar para os seus estudos botânicos e outros aspectos:

 

Enquanto descia a serra eu usufruía, encantado, as belezas da paisagem. O tempo estava fresco, e as nuvens brancas e esgarçadas deslizavam celeremente pelo céu. [...] Aquela alternância de matas e campinas, a diversidade de cores que disso resultava e o contraste entre a planície e a montanha produziam um efeito encantador. (Saint-Hilaire, 1975, p. 108).

 

Da Serra da Canastra, Saint-Hilaire partiu para Araxá, passando por Paracatu, com destino à Província de Goiás e a saga continuou.

 

Primeira página do Caderno de Coleta – C1 – de Saint-Hilaire, referente à  Serra da Canastra. Acervo MNHN, Paris.

 

Ao retornar à França, organizou a coleção de plantas e de aves coletadas no Brasil. A partir de 1825, publicou em três volumes Flora Brasiliae Meridionalis (1825, 1829 e 1832-1833), obra referência para os estudos botânicos no Brasil.

 


             
Acervo: Luiz Cruz.

       

Acervo: Luiz Cruz.

 

Muitos foram os viajantes estrangeiros que circularam pelo Brasil; indubitavelmente, com sua imensurável contribuição, Auguste de Saint-Hilaire deve figurar dentre os principais cientistas a colaborar com os seus estudos. Pesquisador de relevância internacional, destemido e de expressiva resiliência ao enfrentar as precárias condições das viagens, as intempéries e mais ainda, coletar, descrever, armazenar, proteger, transportar e conseguir enviar a Paris uma vasta coleção. Segundo René Desfontaines (1750-1833), então professor de Botânica no Muséum National D’Histoire Naturelle: “dois terços das 7000 espécies de plantas trazidas por Saint-Hilaire, representadas por 30000 amostras, podiam ser consideradas como espécies novas pelo fato de não estarem ainda descritas segundo as regras científicas da botânica.” (Lamy. Drouin, 2016, p. 77).

Saint-Hilaire produziu uma obra de leitura agradável, absolutamente rica, ao considerar a planta e o seu ambiente de ocorrência. Ao registrar seus trajetos, pernoites, alimentação, pessoas e celebrações, compôs uma obra elementar para se compreender o Brasil do século XIX e os ecos do XVIII.


 

Monumento dedicado a Saint-Hilaire, Jardim Botânico do Rio da Janeiro. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Retrato de Auguste de Saint-Hilaire gravado no frontispício de Voyage à Rio-Grande do Sul (Brésil). Publicação póstuma de 1887. 

 

No presente, tornou-se um dos viajantes mais admirados e respeitados, por sua obra e seu espírito de aventureiro, também por seu refinado senso de humanidade. O Jardim Botânico do Rio de Janeiro presta-lhe homenagem, com um monumento, um busto em bronze do naturalista, esculpido por Humberto Cozzo, datado de 1900. Justa homenagem! 

 

Nossa expedição à Serra da Canastra

 

A seguir o roteiro do naturalista Saint-Hilaire, saímos de São João del-Rei e chegamos a São Roque de Minas. Lembrando da historiadora Cida Fraga Chaves, viajar no período colonial brasileiro, era completamente diferente da atualidade, principalmente pelas estradas pavimentadas e pontes, que substituíram os caminhos dos tropeiros, repletos de adversidades. Porém, nos preparamos, estudamos o roteiro percorrido e anotado pelo botânico francês.

Nossa base foi São Roque de Minas, cidade muito agradável e com forte devoção ao seu padroeiro. Terra de gente simples e sobremaneira muito hospitaleira.

Planejamos, mas tivemos surpresas. O Parque Nacional da Serra da Canastra, foi criado em 1972 – com o principal objetivo de preservar as nascentes do Rio São Francisco. A área prevista prevista para o Parque é de 200 mil hectares, com aproximadamente 93 mil hectares já demarcados em seis municípos: São Roque de Minas, Sacramento, Capitólio, São João Batista do Glória, Vargem Bonita e Delfinópolis. As altitudes variam entre 900 e 1.490 m. Uma estrada de aproximadamente 60 km atravessa o Parque e suas vias secundárias permitem acesso às principais atrações. A Cachoeira da Casca-d’Anta é a mais famosa, mas há mais de cem quedas d’águas conhecidas e disponíveis para a visitação. Há muita água por todo o Parque que é administrado pelo ICMBio – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. É tudo muito monumental, muito espetacular e impossível se conhecer em poucas visitas.

Conforme destacado por Saint-Hilare, a Serra da Canastra abriga uma flora exuberante. A fauna é também fabulosa, com algumas espécies destacadas, como o lobo-guará, o tamanduá-bandeira, o tatu-canastra e o veado-campeiro. A comunidade de aves é um atrativo à parte e o destaque é o pássaro galito (Alectrurus tricolor) ameaçado de extinção e presente na lista da IUCN – União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais; em único dia, há possibilidade de se ver, ouvir e fotografar muitos pássaros.


          

Galito (Alectrurus tricolor).Parque Nacional da Serra da Canastra. São Roque de Minas. Fotografia: Luiz Cruz.

             

Caboclinho (Sporophila pileata). Parque Nacional da Serra da Canastra. São Roque de Minas. Fotografia: Luiz Cruz.

                                                                                                                                        

    Campainha-azul (Porphyrospiza caerulescens). Parque Nacional da Serra da Canastra. São Roque de Minas. Fotografia: Luiz Cruz. 

 

Registramos a presença do campainha-azul (Porphyrospiza caerulescens), que foi eleito Ave Símbolo da Serra de São José, no Campo das Vertentes. Passando calmamente pela paisagem, registramos o veado-campeiro (Ozotoceros bezoarticus) – um animal de expressiva elegância. Seguimos os fluxos do riachos na expectativa de apreciar o famoso pato-mergulhão (Mergus octostaceus), mas não o encontramos; valeu observar as águas cristalinas, as matas ciliares e as libélulas .

 

Veado-catingueiro (Ozotoceros bezoarticus). Parque Nacional da Serra da Canastra. São Roque de Minas. Fotografia: Luiz Cruz.  

        


Libélulas. Parque Nacional da Serra da Canastra. São Roque de Minas. Fotografias: Luiz Cruz.


Um dos riachos, provavelmente por onde circula o pato-mergulhão. Parque Nacional da Serra da Canastra. São Roque de Minas. Fotografia: Luiz Cruz.

 

A Serra da Canastra abriga também alguns sítios arqueológicos, inclusive tem paredões com pinturas rupestres. Um dos sítios é o Curral de Pedras. Muros de pedra seca delimitam áreas das paradas dos tropeiros e do descanso dos animais. Há alguns currais e formam dois grandes grupos ao longo do caminho de passagem das tropas.

 

Sítio arqueológico, Curral de Pedras. Parque Nacional da Serra da Canastra. São Roque de Minas. Fotografia: Luiz Cruz. 

 

 

  

 Cachoeira da Casca-d’Danta de Cima. Parque Nacional da Serra da Canastra.São Roque de Minas. Fotografias: Luiz Cruz.

 

 

Cachoeira do Lobo. Parque Nacional da Serra da Canastra. São Roque de Minas. Fotografia: Luiz Cruz.


Cachoeira do Capão Forro. Parque N. da Serra da Canastra.São Roque de Minas. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Mais de 200 anos se passaram após a visita de Saint-Hilaire à Serra da Canastra e com certeza essa serra continua majestosa, impactante, tendo suas cachoeiras grandes volumes de águas. Cada detalhe é um espetáculo da natureza. A Serra da Canastra com sua biodiversidade, geologia, arqueologia e paisagens continua a ser um dos lugares mais bonitos do Brasil.

Visitar o Parque Nacional da Serra da Canastra é uma experiência memorável. Mas é preciso se preparar para essa vivência, na atualidade o uso de protetor solar é elementar. Usar roupas e calçados confortáveis. Deve-se hidratar bem. Como sempre destacado por Saint-Hilaire – é necessário se precaver com a presença dos mosquitos, dos borrachudos e das mutucas. Os insetos podem incomodar até mesmo os mamíferos e as aves locais, conforme registramos uma nuvem de mosquitos em torno de um gavião.


Gavião carcará (Caracara plancus) e os insetos. Parque Nacional da Serra da Canastra. São Roque de Minas. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Há que se destacar a beleza das paisagens da Serra da Canastra. A amplidão do horizonte – o mar de montanhas com os mais variados tons de verde. A luz intensa e as nuvens que circulam com rapidez incrível, a formar desenhos inimagináveis. As cores das flores são mais intensas. Os sabores são distintos – do queijo, dos doces, dos biscoitos, do café... é o efeito terroir da Canastra.

 

Torre da Matriz de São Roque vista do alto do Parque Nacional da Serra da Canastra. São Roque de Minas. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Quando Saint-Hilaire desceu a Serra da Canastra registrou: “Enquanto descia a serra eu usufruia, encantado, as belezas da paisagem.” Nós também descemos a serra maravilhados com a paisagem; mas ao analisar mais detidamente, ficamos preocupados com as transformações das paisagens do entorno direto do Parque Nacional da Serra da Canastra. Ocorre o avanço das grandes plantações a subtrair a vegetação nativa e a deixar o solo exposto às intempéries, promovendo o seu empobrecimento. A especulação imobiliária segue sem limites, com a ocupação de áreas que deveriam estar devidamente protegidas.

Nas estradas do entorno do Parque Nacional da Canastras vimos diversos animais atropelados: serpentes, aves e mamíferos – registramos um tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) adulto atropelado. No século XIX, Saint-Hilaire observou a baixa presença da fauna na Serra da Canastra, em consequência dos caçadores e de muitos cães de caça; atualmente, as estradas se tornaram armadilhas fatais para os animais silvestres. Há a necessidade de trabalhar com a Educação Ambiental, instalar placas e alertar sobre os riscos de atropelamento dos representantes da fauna brasileira. A Natureza ficará agradecida. 

Luiz Antonio da Cruz


Agradecimentos: Regina Carvalho, Olívia, Pedro Luiz, Hudson e Duda. Ainda a Maria Cristina Batalha, Maria José Boaventura e Allehandro Fenty. 

Referências:

ABDALA, Alessandro. Serra da Canastra – Refúgio das aves do Cerrado. Sacramento-MG: Ed. Bertolucci, 2017. 

BARBOSA, Waldemar de Almeida. Dicionário Histórico e Geográfico de Minas Gerais. Belo Horizonte: Itatiaia, São Paulo: Ed. da USP, 1995. 

LAMY, Denis. Et al. Auguste de Saint-Hilaire (1779-1853) – um botanist français au Brésil. Paris: Muséum National D’Histoire Naturelle, 2016. 

LIMA, Pablo Luiz de Oliveira. Marca de Fogo: quilombos, resistência e a política do medo, Minas Gerais – século XVIII. Belo Horizonte: Naddyala, 2016. 

POHL, Johann Emanuel. Viagem no interior do Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia, São Paulo: Ed. da USP, 1976. 

SAINT-HILAIRE, Auguste. Plantas usuais dos brasileiros. Belo Horizonte: Fino Traço, 2014. 

SAINT-HILAIRE, Auguste. Plantas usuais dos brasileiros. Belo Horizonte: Código Comunicação, 2009. 

SAINT-HILAIRE, Auguste. Quando geográfico da vegetação primitiva na provincia de Minas Gerais. Belo Horizonte: Fino Traço, 2011. 

SAINT-HILAIRE, Auguste. Viagem às nascentes do Rio São Francisco. Belo Horizonte: Itatiaia, São Paulo: Ed. da USP, 1975. 

SAINT-HILAIRE, Auguste. Viagem pelo distrito diamantino e litoral d Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia, São Paulo: Ed. da USP, 1974.

Comentários

  1. Parece-me muito bom, vou ler com calma. Obrigado, Luiz!

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    1. Caro Messias, leia. A flora e a fauna estão presentes. Saint-Hilaire formou uma grande coleção de AVES. Nossa serras são maravilhosas e em especial para os passarinheiros, como você. Abraço e obrigado.

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  2. Parabéns por esse maravilhoso trabalho de pesquisa! Viva!

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    1. Obrigado. Sua presença aqui é importante. O naturalista francês produziu muito e é tema de inúmeros trabalhos. Abraço

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  3. Parabéns pelo artigo! Verdadeiro patrimônio cultural. Merece uma segunda leitura.

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    1. Leia, obrigado por sua presença e registro aqui. Saint-Hilaire foi um viajante experiente, além de registrar sobre a botânica, nos legou muitas informações sobre nossa cultura. Abraço amigo

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  4. Os "viajantes", como ficaram conhecidos os europeus que vieram ao Brasil nos Séc. XVIII e XIX, nos deixaram registros maravihosos de suas viagens com belas reproduções de arquitetura, fauna e flora. São registro indispensáveis a quem quer estudar o Brasil, como um todo.

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    1. Amigo Diuner, obrigado pela presença aqui e por seu registro. As contribuições dos viajantes estrangeiros foram expressivas. Muitas informações registradas sobre nosso patrimônio cultural devemos a eles. Saint-Hilaire foi fabuloso. Grande abraço para você aí em Paraty

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