NOSSA SENHORA DAS DORES

HISTÓRIA, DEVOÇÃO E ICONOGRAFIA

 

Estava a Mãe dolorosa,

junto da cruz, lacrimosa,

enquanto Jesus sofria.

 

Uma longa e fria espada,

nessa hora atribulada,

o seu coração feria. [...]

           

Stabat Mater Dolorosa, Inocêncio III.

 

 

Frei Agostinho de Santa Maria (1642-1728) foi um religioso e escritor português que se dedicou a estudar sobre Nossa Senhora e publicou o Santuário Mariano, em 10 volumes, editados entre 1701 e 1728 – obra que tratou das informações e imagens referentes à Nossa Senhora, cultuada em Portugal. Apresenta os mais variados aspectos da história e da arte para a sua representação. Segundo Santa Maria, o culto aos sofrimentos da mãe de Cristo foi distribuído em invocações como da “Piedade”, da “Soledade”, do “Pranto” e por fim, mais recentemente, das “Dores” (Lima Junior, 2008, p. 127).


Página de rosto do Santuário Mariano, v. I, 1707. Acervo: Biblioteca Guita e José Mindlin, SP.


A jovem Santa Isabel da Hungria (1207-1728) teve uma visão, com São João Evangelista. Segundo Frei Santa Maria, essa santa teria visto a mãe de Cristo no Calvário, falando das “dores que alternadamente padeceram entre ambos, o Filho na Cruz e a Mãe em seu coração e em sua alma”. Somente a partir do início do século XVIII, o culto à Nossa Senhora das Dores foi fortalecido, com a invocação de suas dores. O Pontífice Inocêncio III (1160-1216) compôs o hino Stabat Mater Dolorosa, que teve a autoria dedicada a outros ao longo do tempo. O Papa Benedito XIII, em 1727, mandou rezar sobre as Dores da Senhora.

 

Capela de Nossa Senhora das Dores, edificação do século XVIII.  Cachoeira do Campo, Ouro Preto-MG. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Em Portugal, o culto à Senhora das Dores foi promovido pela Congregação do Oratório, iniciado em Braga, em 1761; logo chegou ao Brasil, em especial Vila Rica, atual Ouro Preto, na Capitania das Minas Gerais. No mesmo ano, em Cachoeira do Campo, atual distrito de Ouro Preto, foi construída a primeira capela dedicada à Senhora dos Dores. Na sede da vila, foi criada a Irmandade de Nossa Senhora das Dores e Calvário e com o fortalecimento do culto, a Irmandade do Santíssimo Sacramento da Matriz de Nossa Senhora da Conceição, de Antônio Dias, doou um terreno para a construção de sua capela. Edificada a partir de 1783, essa capela ganhou significativa volumetria. Em sua fachada frontal, na portada encontra-se um relevo em argamassa, sobre um raiado está o coração transpassado por um punhal, fita falante e ramos de flores. Ainda o sino, está o relevo do coração com os sete punhais – elementos da iconografia da Senhora das Dores.

É nessa capela que se realiza o Setenário das Dores, da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, do Padre Faria, de Ouro Preto.

 

Capela de Nossa Senhora das Dores, Ouro Preto-MG. Fotografia: Luiz Cruz.


     

Detalhes da portada e do sino da Capela de Nossa Senhora das Dores, com elementos de sua iconografia. Ouro Preto-MG. Fotografias: Luiz Cruz.


No século XIX, ocorreu expansão dessa devoção e praticamente a maioria das paróquias possui uma imagem da Senhora das Dores, geralmente imagem retabular, de roca ou de vestir, sempre utilizadas nas celebrações da Semana Santa, que é expressiva em inúmeras localidades mineiras.

 

A escultura devocional

 

O homem sempre produziu imagens devocionais, desde os tempos remotos com as representações de deuses e personagens mitológicos – a utilizar as mais diversas modalidades artísticas, do desenho, pintura, escultura, afrescos, ourivesaria, mosaicos e outras. Desde o Império Romano e nos primórdios da Era Cristã, nas catacumbas, surgiram as primeiras manifestações visuais a registrar pessoas que tiveram “vidas virtuosas”. A partir de então, figuras foram reconhecidas e suas imagens difundidas, nos mais variados estilos e suportes; no entanto, há que ressaltar que na iconografia católica, a produção escultórica trata de três ciclos principais: os de Nossa Senhora – mariológicos, os de Jesus Cristo – os cristológicos e o dos santos – os hagiológicos.

O Concílio de Nicéia II, realizado no período de 24 de setembro a 23 de outubro de 787, em Nicéia, Turquia, reestabeleceu o culto e veneração de ícones que foram banidos pelo imperador bizantino Constantino V, com o apoio do Conselho de Hieria, no ano de 754. Trinta e três anos depois, o tema do Concílio de Nicéia II foi a legitimação da veneração de imagens de santos pela Igreja Católica.

Niceia II definiu a tríplice função das imagens na ortodoxia cristã:


1ª – reavivar a memória de fotos históricos;

                        2ª – estimular a imitação dos personagens representados;

3ª – permitir sua veneração.

 

São Boaventura (1217-1274), teólogo, filósofo, cardeal, da Ordem dos Frades Menores, manifestou pedagogicamente sobre as imagens devocionais:


As imagens não foram introduzidas na Igreja sem causa razoável. Elas derivam de três causas: a incultura simples, a frouxidão dos afetos e a impermanência da memória. A incultura dos simples, que não podendo ler o texto escrito utilizam as esculturas e pinturas como se fossem livros para se instruir nos mistérios da fé... A frouxidão dos afetos, para aqueles cuja devoção não é estimulada por intermédio dos ouvidos, sejam provocados pela contemplação dos olhos... já que na realidade o que vê estimula mais os afetos do que o que se ouve. (OLIVEIRA, 1997/2000, p. 247).

 

No século XVI, o Concílio de Trento, por falta de consenso, teve realização em três períodos, entre 1545 e 1563. No terceiro período, ocorrido nos anos de 1562 e 1563, os aspectos restabelecidos no Concílio de Niceia II foram reforçados, principalmente para oposição dos princípios e doutrinas da Reforma Protestante.  Trento reafirmou a importância das indulgências, das peregrinações, da veneração dos santos e das relíquias. Reafirmou a veneração da Virgem Maria. Ainda, expediu decretos relativos à música e às artes sacras.

Para difundir as determinações do Concílio, foram publicadas duas obras importantes: Instructiones Fabricae et Ecclesiasticae, de 1577, do bispo de Milão, Carlos Borromeo e De immaginibus acris et profanis, de 1582, do cardeal Gabrielle Paleotti, arcebispo de Bolonha – ambas orientavam os artífices com as diretrizes da Igreja, especialmente para que as imagens / esculturas fossem executadas com “decoro e formosura” e a consequente apreensão pelos devotos.

A Contrarreforma da Igreja Católica e o Concílio de Trento propiciaram as condições para reafirmação do culto aos santos, para a grande produção de imagens devocionais, como meios de expansão da fé.  As imagens deveriam estar no cotidiano dos fiéis, ocupando os espaços das edificações religiosas e os públicos, em especial nas manifestações religiosas, principalmente nas procissões.

Entre os séculos XVI e XVII, de maneira geral, as imagens tinham suas vestes simplificadas, as vezes rústicas. Nossa Senhora trajava roupas pretas. “Frei Agostinho de Santa Maria dava notícias de imagens que portavam vestes pretas.” (FLEXOR, 2005, 172).

No Brasil, a partir de 1707, com as Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia, ordenadas por Dom Sebastião Monteiro da Vide, refletem os princípios do Concílio de Trento, mas incorporaram as particularidades já consolidadas na legislação eclesiástica portuguesa. Destacou atenção especial que deveria ser dada às imagens da Virgem Nossa Senhora – “para manter impoluta sua santidade e honestidade”. Orientou ainda a colocação das imagens nos retábulos.

 

As categorias das esculturas

 

As esculturas executadas em madeira e de corpo inteiro, geralmente eram destinadas aos retábulos. Essas imagens recebiam a policromia, com o “sgrafitto” ou esgrafiado – técnica que consiste na superposição de uma camada de tinta sobre o douramento e sua retirada com um instrumento de ponta, para a formação de desenhos ornamentais e a padronagem das vestes. A inserção de olhos de vidro, ou de cristal, ou ainda esculpidos, policromados e em certos casos até as lágrimas. As partes expostas como o rosto, pescoço, braços, mãos e pés recebiam a carnação.

As esculturas devocionais podem ser organizadas em quatro grupos, conforme os sistemas construtivos, objetivos/usos e a indumentária: 1. Imagem de Talha Inteira ou Talha Completa; 2. Imagem Articulada; 3. Imagem de Vestir e 4. Imagem de Roca.  (QUITES, 2001, p. 90)

No retábulo lateral da Matriz de Nossa Senhora da Conceição, de Carrancas, a representação da Senhora das Dores é “Imagem de Talha Inteira ou Talha Completa”; tem essas características e ainda ostenta as sete espadas e o diadema com as estrelas em prata. É uma escultura com as vestes policromadas, douradas e movimentadas; composição de significativa elegância.


Retábulo de Nossa Senhora das Dores, Matriz de Nossa Senhora da Conceição, século XIX. Carrancas-MG. Fotografia: Luiz Cruz.

 

A imagem de Nossa Senhora das Dores aparece com um punhal a transpassar o seu coração, ou sete punhais, cada um representando uma de suas dores. Encontramos algumas esculturas da Senhora das Dores sentada, policromada, com as sete espadas em madeira e com resplendor em prata. Trata-se de uma das mais expressivas obras de Antônio Francisco Lisboa (1737-1814), o Mestre Aleijadinho, que se encontra exposta no Museu de Arte Sacra de São Paulo.

Ainda em São Paulo, na Coleção Brasiliana Itaú, no Espaço Olavo Setúbal, na Av. Paulista, encontra-se exposta outra escultura de Nossa Senhora das Dores, também de autoria do Mestre Aleijadinho. Essa aparece sentada, policromada, com o coração no peito, mas desprovida dos punhais e do resplendor.


Nossa Senhora das Dores. Mestre Aleijadinho, século XVIII. Acervo Museu de Arte Sacra de São Paulo. Fotografia: Divulgação do MAS-SP.

 

   

    

Nossa Senhora das Dores. Mestre Aleijadinho, século XVIII. Acervo: Coleção Brasiliana Itaú. Espaço Olavo Setúbal, São Paulo. Fotografias: Luiz Cruz.


Essas duas imagens de Nossa Senhora das Dores, por suas soluções escultóricas, com as costas / fundos aplainados, provavelmente devem ter sido idealizadas e executadas para algum retábulo.


    

 

As Sete Dores de Nossa Senhora – representada por cada punhal

 

        1.    A profecia de Simeão sobre Jesus: uma espada de dor transpassará a     tua alma (Lucas, 2, 34-35);

        2.    A fuga da Sagrada Família para o Egito (Mateus, 2, 13-21);

        3.    O desaparecimento do Menino Jesus durante três dias (Lucas, 2,41-    51);

        4.    Encontro de Maria e Jesus a caminho do Calvário (Lucas, 23, 27-31);

        5.    O sofrimento e morte de Jesus na Cruz (Mateus, 27, 55-61);

        6.    Maria recebe o corpo do filho tirado da Cruz (Mateus, 27, 55-61);

        7.    A soledade de Nossa Senhora após o sepultamento do corpo de Jesus no Santo Sepulcro (Lucas, 23, 55-56).

 

 

As imagens de vestir

 

As Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia orientavam para a execução de imagens de vulto com o corpo esculpido por inteiro, para se evitar o uso de vestimentas. Como se observa ao longo do tempo, prevaleceu o costume antigo de se vestir as imagens e a seguir as próprias diretrizes das Constituições:


De tal modo, que não se possa notar indecência nos rostos, vestidos, ou toucados: o que com muito cuidado se guardará nas Imagens da Virgem Nossa Senhora, porque assim como depois de Deos não tem igual santidade, e honestidade, assim convêm que sua Imagem sobre todas seja, mais santamente vestida, e ornada. (Livro 4º, p. 256-257).

 

No Brasil, as imagens de vestir em sua grande maioria foram executadas em madeira – em cedro rosa, algumas com madeira de origem europeia como o castanheiro. Mas encontramos também esculturas com a cabeça em barro e até mesmo em pedra policromada, uma raridade, como a imagem da execução do Mestre Aleijadinho, a de São Francisco de Paula, a cabeça é em pedra sabão, policromada e com os olhos em vidro, os quais lhes conferem mais expressividade.  

      

Imagem de roca. São Francisco de Paula. Cabeça em pedra sabão e mãosesculpidas em madeira – ambos com carnação; busto em madeira e corpo em quatro ripas. Autoria: Mestre Aleijadinho, século XVIII. Museu Aleijadinho, Ouro Preto-MG. Fotografias: Luiz Cruz.

  

O adjetivo roca tem sentidos diversos. “Roca” em espanhol pode ser traduzido por “rocha”. A Espanha teve grande relevância na produção de esculturas devocionais, por longo período, do Maneirismo ao Rococó e nesse intervalo, ocorreu o Barroco, com uma potência, impacto e dramaticidade nas esculturas devocionais. A partir das experiências italianas, os jesuítas espanhóis uniram dois aspectos elementares para a produção das esculturas: a teatralidade e a rocha. A base, a montanha, as cavidades, o lugar, recebiam as representações com movimentação e seus elementos iconográficos. Ambientadas na rocha, as esculturas eram realizadas para ter as vestes trocadas, de acordo com as ocasiões ou as cerimônias. Da Espanha chegou a Portugal e consequentemente no mundo ibero-americano, sendo amplamente utilizada para a fatura das imagens processionais, em especial da Semana Santa.

No Dicionário Português e Latino, do padre Rafael Bluteau (1638-1734), publicado entre 1712 e 1721, em 10 tomos, definiu: “Imagens de Santos de vestir, e huma união de fasquias, que são pregadas em um base, se vão ajuntando mas em forma quase piramidal, até a cintura e se cobre com algum gênero de vestidura”. Enquanto o Dicionário de Língua Portuguesa, de Antônio Moraes Silva, de 1789, definiu a imagem de roca: “aquela que tem o meio corpo imitando o humano, assentado sobre círculo de taboa, que se levanta por huma balaustrada de taboinhas em redondo, sobre uma base circular”.

A ideia da “roca” – “rocha” como base para as esculturas estiveram presentes em diversos exemplares escultóricos e nas mais variadas devoções, conforme se observa na imagem abaixo, do Menino Deus.

 

Menino Deus, sobre rocha. Madeira policromada e com vestes, século XVIII. Mariana-MG. Acervo: Leonardo Santos Ribeiro. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Por influência predominante portuguesa, mas a considerar também a influência afro e indígena, a colônia brasileira se tornou expressiva produtora de imagens devocionais. No início, as esculturas vieram do reino, mas posteriormente, foram amplamente produzidas. Não há como destacar a importância dos principais polos produtores da imaginária brasileira: Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Maranhão, Rio de Janeiro e São Paulo. As principais encomendantes foram a Igreja, as diversas agremiações religiosas e em especial as ordens terceiras.

Os contratantes deveriam definir os aspectos técnicos e estilísticos, bem como as devoções a serem executadas. Cada escultura foi realizada para atender a uma encomenda específica. Elas, em geral, tinham quatro funções principais no período colonial, a partir da tipologia definida:

A exposição em retábulos de igrejas ou capelas (imagens retabulares), o uso em procissões e outros rituais católicos a céu aberto (imagens processionais), os conjuntos cenográficos reunindo várias imagens para a constituição de uma cena e as imagens de culto doméstico. (OLIVEIRA, 1997/2000, p. 263).

As esculturas eram realizadas para propiciar a aproximação entre a devoção e o fiel. Especialmente as imagens de vestir deveriam cativar a atenção dos devotos, com os seus gestos teatrais, as indumentárias, as expressões faciais, os olhos brilhantes e as cabeleiras naturais. Para tanto, algumas esculturas receberam as lágrimas em cristal e materiais distintos, outras as gotículas de sangue em resina – as famosas “gotas de sangue de rubi”. Tinham cunho didático para educar, evangelizar os que ainda não conheciam as letras, mas sobretudo para persuadir os fiéis.

Grande parte dessas esculturas foram executadas para os cortejos processionais promovidos pelas irmandades e confrarias. A Procissão de Cinzas era uma das mais curiosas e saía com vários santos em andores. O viajante e naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire (1779-1853) quando esteve em São João del-Rei, em 1819, assistiu a Procissão de Cinzas, promovida pela Confraria de São Francisco de Assis e anotou:


Os treze andores seguiam em fila e a uma distância considerável uns dos outros. Num deles vinha Jesus orando no Jardim das Oliveiras, em outro Santa Madalena e a bem-aventurada Margarida de Cortone, ambas de cabelos soltos e trajando mantos de um tecido cinzento. No terceiro estava S. Luís, Rei da França e no quarto o bem-aventurado Yves, Bispo de Chartres. A Virgem, em toda a sua glória, cercada de nuvens e querubins, também estava presente em um dos andores. Outra imagem representava S. Francisco recebendo do Papa a aprovação dos estatutos de sua ordem, e em outro grupo encenava-se o milagre dos estigmas. Finalmente, via-se S. Francisco sendo beijado por Jesus Cristo [...]. (SAINT-HILAIRE, 1975, p. 65).

 

Exatamente como registrado em São João del-Rei, no início do século XIX, outras localidades também realizavam a Procissão de Cinzas. Na Igreja de São Francisco de Assis, de Mariana, encontram-se expostos dois grupos de santos de roca, provavelmente utilizados nessa procissão. Dos diversos santos, subsistiram fragmentos esculpidos, como as cabeças, mãos e pés. Na Igreja da Arquiconfraria de São Francisco de Assis, de Sabará, subsiste um curioso conjunto desses fragmentos. Algumas dessas peças se encontram armazenadas, outras expostas, conforme se observa no Museu da Liturgia, em Tiradentes.


Santos de roca. Acervo da Ordem Terceira de São Francisco de Assis, Mariana-MG. Fotografia: Arquivo Luiz Cruz.

  


Santos de roca. Acervo da Ordem Terceira de São Francisco de Assis, Mariana-MG.  Foto: Luiz Cruz.

  

Detalhe de santos de roca. Acervo da Ordem Terceira de São Francisco de Assis, Mariana-MG.  Fotografia: Luiz Cruz.

 

Santos de roca. Acervo da Ordem Terceira de São Francisco de Assis, Mariana-MG. Foto: Luiz Cruz.



Detalhes de santos de roca. Igreja da Arquiconfraria de São Francisco de Assis. Sabará-MG.  Fonte: Coelho, 2017, p. 206.


 


Fragmentos de santos de roca. Acervo da Paróquia de Santo Antônio, Tiradentes-MG. Museu da Liturgia. Fotografia: Luiz Cruz.



Os santos de vestir no Brasil

 

Nos principais polos produtores de escultura devocional, encontramos inúmeras imagens de vestir, tanto as de tamanhos naturais para as procissões quanto as de menor proporção para o culto doméstico.

Em Alagoas, no município de Marechal Deodoro, temos o Museu de Arte Sacra do Estado, instalado numa imponente edificação do século XVII, o antigo Convento de Santa Maria Madalena. Esse museu abriga um precioso conjunto de imaginária e dentre tantas obras expressivas, destacam as imagens de vestir. A boa e didática expografia desse museu nos permite apreciar essas esculturas devocionais.

 

Santos de vestir e de roca. Museu de Arte Sacra do Estado de Alagoas. Marechal Deodoro-AL. Fotografia: Luiz Cruz. 

 

Santos de vestir e de roca. Museu de Arte Sacra do Estado de Alagoas. Marechal Deodoro-AL. Fotografia: Luiz Cruz.


Ainda em Alagoas, no Convento Franciscano de Santa Maria dos Anjos, em Penedo, encontramos uma imagem de roca bem singular, um São Francisco de Assis violinista, a comprovar a criatividade dos nossos santeiros.

 

Santo de roca. São Francisco de Assis. Convento Franciscano de  Santa Maria dos Anjos, Penedo-AL. Fotografia: Luiz Cruz. 

 

No Museu de Arte Sacra do Convento de Santo Antônio, no Recife-PE, podemos apreciar algumas esculturas de santo de roca, mas dois conjuntos se destacam, o de São Francisco de Assis e acólitos diante o Papa e o outro que representa o seu sepultamento.

 

São Francisco de Assis e acólitos diante o Papa. Santos de roca. Museu de Arte Sacra do Convento de Santo Antônio. Recife-PE. Fotografia: Luiz Cruz.


São Francisco de Assis e acólitos diante o Papa. Santos de roca. Museu de Arte Sacra do Convento de Santo Antônio. Recife-PE. Fotografia: Luiz Cruz.

 

O sepultamento de São Francisco de Assis. Santos de roca. Museu de Arte Sacra do Convento de Santo Antônio. Recife-PE. Fotografia: Luiz Cruz.

 

O MAS - Museu de Arte Sacra de São Paulo possui precioso acervo de imaginária brasileira. Além da escultura de Nossa Senhora das Dores, de autoria do Mestre Aleijadinho, já apresentada, conta no seu acervo um conjunto de imagens de vestir, peças de vulto, retabulares e peças de pequeno porte, de culto doméstico.

Em 2021, o MAS-SP promoveu a exposição Imagens de Roca e de Vestir, sob a curadoria de João Rossi e Beatriz Cruz. Uma das mais importantes a tratar dessa categoria da imaginária brasileira. Na ocasião foram apresentadas 37 obras do acervo do MAS-SP e obras da Catedral Metropolitana de São Paulo, da Arquidiocese de Sorocaba, da Paróquia de Nossa Senhora dos Remédios, da Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte e da coleção de Jack Luna.

 

Coração de Jesus, imagem de roca, que integrou a exposição Imagens de Roca e de Vestir. MAS-SP. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Em Sabará-MG, na Capela da Arquiconfraria do Cordão de São Francisco dos Homens Pardos, dedicada à Nossa Senhora Rainha dos Anjos, edificação iniciada em 1761, encontra-se um conjunto de santos de roca em exposição, na nave do templo. Há ainda um Calvário, na base da Cruz está a imagem de roca de Nossa Senhora das Dores, sentada, com sua indumentária típica e a cabeleira natural. Mais abaixo, aparece outra imagem de vestir, trata-se de Nossa Senhora da Boa Morte, representada jovem, deitada no esquife, com indumentária branca. Essa imagem tem articulação nos braços e nas pernas (século XIX). Nessa igreja há outra imagem de Nossa Senhora das Dores, de roca, em pé, guardada na sacristia Estes conjuntos nos permitem comparar as alturas das imagens, as soluções escultóricas, a volumetria e até mesmo a organização por possíveis autorias.

 

Santos de vestir, Capela da Arquiconfraria do Cordão de São Francisco do Homens Pardos. Sabará-MG. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Santos de vestir, Capela da Arquiconfraria do Cordão de São Francisco dos  Homens Pardos. Sabará-MG. Fotografia: Luiz Cruz.



Os padroeiros nas procissões

 

Algumas cidades mineiras realizam suas festas de padroeiros com expressiva pompa e mobilização de fiéis. A maior parte das esculturas devocionais de procissão são imagens de vestir. Uma dessas cidades é São João del-Rei, que promove celebrações comoventes. As imagens nos andores circulam nas ruas e causam impacto. Conforme destacado por Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira (1997-2000, p. 264):

A intenção de dar às esculturas a aparência de “figuras vivas” atinge seu ponto culminante nas imagens processionais, destinadas a serem vistas de perto e sob ângulos variados. Uma tipologia específica para esse fim, a chamada “imagem de vestir”, com cabeleiras naturais e roupagens verdadeiras, difundiu-se no mundo ibérico e ibero-americano, conhecendo imensa popularidade até fins de século XIX. Nesse grupo situam-se as chamadas imagens de roca luso-brasileiras, que tem partes do corpo sob roupagens reduzidas a uma armação de madeiras em ripas, oferecendo a vantagem da diminuição do peso para o transporte nas procissões.

Antecedem essas procissões as novenas, os tríduos e as adorações – sempre acompanhados pelas orquestras e nos cortejos processionais pelas bandas musicais. As irmandades se esmeram para promover as celebrações dos seus padroeiros.


Saída da procissão de Nossa Senhora do Carmo. São João del-Rei-MG. Fotografia: Luiz Cruz.


Procissão de Nossa Senhora do Carmo. São João del-Rei-MG.Fotografia: Luiz Cruz.

 

Mariana, a primaz de Minas Gerais, também promove expressivas procissões, uma dela é a de Nossa Senhora das Mercês, com a sua imagem de roca.

 

Imagem de Nossa Senhora das Mercês, Mariana-MG. Fotografia: Luiz Cruz.



As articulações dos santos de vestir

 

Esculturas com a possibilidade de mudar a gesticulação foram realizadas a um tempo muito distante. As articulações, principalmente, dos braços e das pernas facilitam a mudança de movimentos e a representação de outras devoções. Elas facilitam sobretudo a troca das indumentárias.

As articulações podem ter cinco características distintas para propiciar os movimentos da imagem: Esfera Macho/Fêmea – a mais encontrada; Macho/Fêmea Simplificado; Esfera Bipartida; Esfera Maciça; Dobradiça. (QUITES, 2001, p. 92).

 


   Imagem de roca. Nosso Senhor dos Passos, madeira, com a cabeça, braços e pernas policromados, olhos de vidro e seu sistema de articulação.  Século XIX. Tiradentes-MG. Acervo e fotos: Luiz Cruz.

 

Detalhe da imagem de Cristo da Prisão sem as vestes, com as articulações expostas e São Francisco de Assis – ambos de roca. Acervo Paróquia de Santo Antônio, de Tiradentes-MG. Museu da Liturgia. Fotografia: Luiz Cruz.

 

 

A devoção à Senhora das Dores

 

O papa Benedito XIII, em 22 de agosto de 1727, deu ênfase à invocação de Nossa Senhora das Dores ao determinar que os católicos deveriam rezar para o alívio das “Dores da Senhora”. Esse culto chegou a Portugal e fora instituído pela Congregação do Oratório Divino, na cidade de Braga. Os oratorianos estabeleceram a Confraria de Servos de Nossa Senhora das Dores (LIMA JUNIOR, 2008, p. 129). Logo surgiu a Irmandade de Nossa Senhora das Dores e do Calvário, que chegou ao Brasil.

A devoção à Nossa Senhora das Dores teve grande repercussão na Capitania de Minas Gerais, fator que deve ter contribuído para tal popularidade deve ter sido a presença de tantos minhotos migrados para a colônia brasileira, vindos em busca de oportunidades de trabalho, propiciado pelo positivo impacto econômico gerado pela mineração aurífera.

A primeira igreja dedica à Senhora das Dores foi implantada em Cachoeira do Campo, em Vila Rica, a atual Ouro Preto, construída a partir de 1761.

A Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, de Vila Rica, abrigou a Irmandade de Nossa Senhora das Dores, a partir de 1767. Alguns anos depois, essa irmandade construiria a sua igreja, já em 1783. Ao longo do tempo, outras capelas e ermidas foram edificadas.

As irmandades das Dores estavam vinculadas aos homens de cor, os pardos. A sociedade setecentista se organizou através dos grupos étnicos. “Em síntese, as irmandades funcionaram como agentes de solidariedade grupal, congregando, simultaneamente, anseios comuns frente à religião e perplexidades frente à realidade social” (BOSCHI, 1986, p. 14), principalmente diante os tormentos provocados pela escravidão.

Entre os séculos XVIII e XIX, em Minas Gerais, funcionaram cinco irmandades de Nossa Senhora das Dores: a de Cachoeira do Campo, da Freguesia de Nossa Senhora de Nazaré; de Prados, da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição; de São José, da Freguesia de São José (atual Tiradentes); de São João del-Rei, da Freguesia de São João del-Rei e de Vila Rica, da Freguesia de Antônio Dias (BOSCHI, 1986, p. 193).

Nossa Senhora das Dores. Compromisso da Confraria, desenho de autoria de Manoel Victor de Jesus, 1801. Arquivo da Paróquia de Santo Antônio, Tiradentes-MG.


A Confraria de Nossa Senhora das Dores de São José, foi fundada em 1801 e instalada na Capela de São João Evangelista (dos pardos). Na página de rosto do seu Livro de Compromisso, há um desenho da Senhora em pé, com um punhal no peito e o diadema com as estrelas. Trata-se de cópia caligráfica e desenho é de autoria do artífice Manoel Victor de Jesus  (1760-1828) – bico de pena com aguada de nanquim, de 1801.

No Inventário de Bens Móveis e Integrados realizado pelo Iphan nas décadas de 1980 e 1990, nas edificações tombadas pelo órgão, foram registradas as devoções, dentre elas 180 grupos, com o total de 1662 esculturas. As invocações inventariadas com os maiores números de imagens foram: Santo Antônio de Pádua, com 97 imagens – o santo mais querido do Brasil; Nossa Senhora do Rosário, com 74 esculturas – a Senhora protetora dos escravizados e dos povos de origem afro; Nossa Senhora das Dores, com 71 imagens – a devoção que se arraigou pelo território mineiro. (COELHO, 2017, p. 89).

 

A iconografia de Nossa Senhora das Dores

 

 

Saudação.

Salve Virgem dolorosa

Amparo dos desgraçados,

Dai-nos, pelas vossas Dores,

A dor de nossos pecados.

 

Setenário das Dores de Nossa Senhora, Reverenciado na Catedral Basílica de Nossa Senhora da Assunção, em Mariana.

(José Arnaldo Coêlho de Aguiar Lima, 2011).

 

 

Indubitavelmente, as gravuras que circularam entre os séculos XVIII e XIX influenciaram a produção artística no Brasil. As gravuras dos missais, bíblias, registros de santos e as gravuras avulsas chegavam a todos os cantos da colônia brasileira. Os mestres artífices tinham contato com essas imagens de única cor, apropriavam-se das informações e construíam suas obras, na escultura, pintura, arquitetura e outras modalidades artísticas.

       


Descendimento. Missal Romano, século XVIII. 
 Acervo Paróquia de Santo Antônio. Tiradentes-MG.

 


Nossa Senhora das Dores. Compromisso da Confraria, desenho de autoria de Manoel Victor de Jesus, 1801. Arquivo da Paróquia de Santo Antônio, Tiradentes-MG.
  

 

 

Inscrição: ECCE MATTER TUA (Eis aí tua mãe). N.S. das Dores q. se venera na Ermida do Seminario da Caridade dos órfãos. O Emº Sr. Card. Patriar. conce 40 dias d Indulg. pra cada ves aqm diãt desta Imag. Rezar de Joelhos 7 Av. M.

 

 

Nessas representações, a Senhora das Dores sempre aparece sobre os rochedos, seja ao pé da Cruz, no Calvário, juntamente com Maria Madalena e São João Evangelista, ou isolada, tendo ao fundo o Monte do Calvário.

Frei Agostinho de Santa Maria registrou que as imagens da Virgem, portavam indumentárias pretas. “A maioria das esculturas, dos séculos XVI e XVII, era vestida com simplicidade, feitas, grosseiramente, como as imagens da Virgem trajadas com roupas de luto”. (FLEXOR, 2005, p. 172).

Com o surgimento e fortalecimento das irmandades no século XVIII, as vestes rústicas e pretas foram aos poucos sendo substituídas. Surgiram as preciosas indumentárias com os tecidos finos, os veludos, sedas, brocados. Muitas peças bordadas com fios de ouro ou de prata, com as pedrarias semipreciosas, os marfins e as pérolas – tudo a visar a verossimilhança e a persuasão dos fiéis.  

Para a confecção da escultura de roca, com o corpo estruturado com a ripas, poderia ficar até mais barato que uma escultura de talha inteira ou de talha completa, mas para sua indumentária, demandava muitos tecidos, as roupas íntimas, as anáguas, as armações das saias, os estofamentos, os cintos, as rendas e as cabeleiras naturais. Claro, além dos elementos típicos de cada iconografia. Aqui, no caso da Senhora das Dores, precisava do diadema em prata, geralmente com sete estrelas, os sete punhais de prata e o andor processional.

Havia muita preocupação com o “decoro” das imagens, mas não havia determinação para a orientação específica do mestre santeiro, conforme pode-se observar nas duas esculturas do Mestre Aleijadinho apresentadas aqui. O artífice valeu-se de sua criatividade para executá-las. As representações apresentam variações, tanto das imagens de talha inteira quando nas de vestir.

No Museu da Liturgia, em Tiradentes, observam-se três esculturas: Nossa Senhora da Piedade, sentada com o Cristo no colo, de origem portuguesa, do século XVIII, em terracota policromada – a imagem traz no peito os sete punhais. Uma pequena escultura da Senhora das Dores em roca, de pé, com partes policromadas, com o diadema com as sete estrelas e o punhal no peito, ambos em prata. A Senhora das Dores em talha inteira, policromada e dourada, de pé, com único punhal no peito.


Nossa Senhora da Piedade, em terra cota e policromada, de origem portuguesa, século XVIII; Nossa Senhora das Dores, em roca e de pé, século XIX; Nossa Senhora das Dores, talha inteira, policromada e dourada, século XVIII. Acervo: Paróquia de Santo Antônio, Museu de Liturgia. Tiradentes-MG. 

 

Ao circular por diversas cidades mineiras, das mais antigas às mais recentes, encontramos as imagens de roca. A Semana Santa é o momento em que os temas cristológicos e mariológicos ganham potência, com a Nossa Senhora das Dores e o Senhor dos Passos, especialmente na Procissão do Encontro, quando Cristo seguia rumo ao Calvário. Cada paróquia se esmera para promover da melhor maneira possível as celebrações dessa semana, com ênfase maior ao tríduo pascal.

      


Nosso Senhor dos Passos, santo do roca, 1721. Foto Almeida, década de 1960. Acervo: Luiz Cruz. Procissão de Nossa Senhora das Dores, década de 1980. Tiradentes-MG. Fotofrafia: Luiz Cruz.

 

Nossa Senhora das Dores, em roca, século XVIII. Procissão do Encontro. Tiradentes-MG. Fotografia: Luiz Cruz. 

 

Nossa Senhora das Dores e Senhor dos Passos, em roca, século XVIII. Procissão do Encontro. Tiradentes-MG. Fotografia: Luiz Cruz.

 

  

Nossa Senhora das Dores, em roca, século XVIII. Procissão do Encontro. Tiradentes-MG. Fotografias: Luiz Cruz. 

 

A imagem de Nossa Senhora das Dores que sai nas procissões de Tiradentes é a que fica no oratório da Igreja de São João Evangelista. Ela é utilizada no Setenário das Dores, na Procissão do Encontro, na Procissão da Soledade – quando visita os Passos da Paixão e na Procissão do Enterro. Em seguida é levada para o seu oratório. A imagem de roca que tem sido utilizada no Domingo da Ressurreição, para a coroação, é a do Calvário, do retábulo do Descendimento da Cruz, da Matriz de Santo Antônio.

São João del-Rei promove uma das mais completas e mais comoventes Semana Santa do Brasil. As imagens de Nossa Senhora das Dores e de Nosso Senhor dos Passos são em roca e do século XVIII. A cidade conta com outras representações, mas apresentamos aqui uma bem singular, da Capela do Senhor Bom Jesus do Bonfim, em roca e com os seus elementos iconográficos, destacam-se os sete punhais e seu diadema com sete estrelas e ao centro um coração cravejado por punhal.


Nossa Senhora das Dores e Nosso Senhor dos Passos, imagens de roca. Igreja de Nossa Senhora do Carmo, São João del-Rei-MG. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Nossa Senhora das Dores, de roca, Capela do Senhor do Bonfim.  São João del-Rei-MG. Fotografia: Luiz Cruz.


Objetivando apreciar a imagens processionais de Nossa Senhora das Dores, percorremos o roteiro de Tiradentes até Santa Bárbara, passando por Santa Cruz de Minas, São João del-Rei, Coronel Xavier Chaves, Prados, Entre Rios de Minas, São Brás do Suaçuí, Ouro Branco, Ouro Preto, Cachoeira do Campo, Mariana, Cachoeira do Brumado, Antônio Pereira, Santa Rita Durão, Catas Altas e finalmente Santa Bárbara – a única cidade que não conseguimos ver a imagem, porque já estava na sacristia e para tal só poderia visitada com a autorização do vigário.

 

Impressos da programação da Semana Santa recebidos ao longo do nosso roteiro. Acervo: Luiz Cruz.

 

Apresentamos aqui as imagens processionais dessa devoção registradas em nossa expedição cultural e religiosa:

 


Nossa Senhora das Dores. Matriz de São Sebastião. Santa Cruz de Minas-MG. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Nossa Senhora das Dores. Igreja de Nossa Senhora do Carmo. São João del-Rei-MG. Foto: Luiz Cruz.



Nossa Senhora das Dores. Salão Comunitário. Coronel Xavier Chaves-MG. Fotografias: Luiz Cruz.

 

Nossa Senhora das Dores. Prados-MG. Fotografia: Luiz Cruz.


Nossa Senhora das Dores. Matriz de Santo Antônio. Lagoa Dourada-MG. Fotografias: Luiz Cruz.

 

   

Nossa Senhora das Dores. Igreja de Santa Efigênia. Entre Rios de Minas-MG. Fotografias: Luiz Cruz.

     

Nossa Senhora das Dores. Matriz de São Brás. São Brás do Suaçuí-MG. Fotografias: Luiz Cruz.

 


  Nossa Senhora das Dores. Matriz de Santo Antônio. Ouro Branco-MG. Fotografias: Luiz Cruz. 

 

Nossa Senhora das Dores. Matriz de Nossa Senhora de Nazaré, Cachoeira do Campo, Ouro Preto-MG. Fotografia: Luiz Cruz.


       

 Nossa Senhora das Dores. Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Cachoeira do Brumado. Mariana-MG. Fotografias: Luiz Cruz.

 

   

Nossa Senhora das Dores. Catedral Basílica da Sé. Mariana-MG. Fotografias: Luiz Cruz.

 

Os três andores, Nossa Senhora das Dores, Santa Maria Madalena e São João Evanglista, imagens de roca que acompanharam a Procissão do Enterro, Mariana-MG. Fotografia: Luiz Cruz.

 

     

Nossa Senhora das Dores, figurado na encenação do Descendimento da Cruz. Mariana-MG. Fotografia: Luiz Cruz.

 

     

Nossa Senhora do Triunfo, figurado na encenação da Procissão da Ressurreição. Mariana-MG. Fotografias: Luiz Cruz.

 

Nossa Senhora e Nosso Senhor dos Passos. Catedral Basílica da Sé de Mariana-MG. Foto: Luiz Cruz. 

 

Ainda em Mariana registramos mais duas imagens de Nossa Senhora das Dores, uma na sacristia da Sé, que fica guardada na cripta – onde os bispos são sepultados e outra na nave da Igreja de São Pedro dos Clérigos. Anteriormente, háviamos fotografado o retábulo colateral de Nossa Senhora das Dores, da Capela de Nossa Senhora da Boa Morte, do antigo Seminário de Mariana – atualmente essa edificação encontra-se interditada, com risco de desabamento.

 

     
Nossa Senhora das Dores, sacristia da Sé  e a que se encontra na nave da Igreja de São Pedro dos Clérigos. Mariana-MG. Fotografias: Luiz Cruz.

 

Retábulo colateral de Nossa Senhora das Dores. Capela de Nossa Senhora da Boa Morte. Interditada e com risco de desabamento. Mariana-MG. Fotografia: Luiz Cruz.



 
  Nossa Senhora das Dores. Matriz de Nossa Senhora de Nazaré. Santa Rita Durão. Mariana-MG. Fotografias: Luiz Cruz.

  

Nossa Senhora das Dores. Matriz de Nossa Senhora da Conceição, retábulo de São Miguel e Almas. Catas Altas-MG. Fotografias: Luiz Cruz.

 



Nossa Senhora das Dores. Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Catas Altas-MG. Fotos: Luiz Cruz.

 

A mesma imagem com a indumentária de Domingo da Ressureição. Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Catas Altas-MG. Fotografia: Luiz Cruz.

  

    

Domingo da Ressurreição, Coroação de Nossa Senhora, retirada do diadema  com as estrelas e a colocação da coroa fechada. Matriz de Nossa Senhora do Pilar. Ouro Preto-MG. Fotografias: Luiz Cruz.

 

Domingo da Ressurreição, Coroação de Nossa Senhora. Encerramento da Semana Santa.  Matriz de Nossa Senhora do Pilar. Ouro Preto-MG. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Terminada a Semana Santa em Ouro Preto, a imagem de Nossa Senhora das Dores volta para o seu retábulo, na nave da Matriz de Nossa Senhora do Pilar, onde permanece até as próximas celebrações.

 

A imagem de Nossa Senhora das Dores em seu retábulo, nave da  Matriz de Nossa Senhora do Pilar. Ouro Preto-MG. Fotografia: Luiz Cruz.

 


Nossa Senhora das Dores e a arte da ornamentação

 

A primeira edificação dedicada a essa devoção encontra-se em Cachoeira do Campo. É uma singela e elegante capela, construída no início da década de 1760. Os tetos foram pintados, o da capela-mor, em abóbada trifacetada, recebeu a pintura de uma cartela formada por elementos arrocalhados, com a predominância dos tons vermelho e azul.  Ao centro aparece a cena da Senhora das Dores sentada, com seis punhais cravados no peito e o sétimo, ela transpassa no peito do fiel ajoelhado aos seus pés. Trata-se de cena ímpar na ornamental pictórica mineira.

 

Capela de Nossa Senhora das Dores, século XVIII. Cachoeira do Campo, Ouro Preto-MG. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Capela-mor, Capela de Nossa Senhora das Dores, Cachoeira do Campo, Ouro Preto-MG. Fotografia: Carlos Magno de Araújo.

 

Teto da capela-mor, Capela de Nossa Senhora das Dores, Cachoeira do Campo, Ouro Preto-MG. Fotografia: Carlos Magno de Araújo.

 

Segundo o professor e pesquisador Alex Bohrer, nascido e criado em Cachoeira do Campo, autor da obra O Discurso da Imagem – Invenção, cópia e circularidade na arte, ressaltou a função social da Irmandade de Nossa Senhora das Dores, que desde sua fundação congregou irmãos brancos, pardos e de cor. “Neste caso a mestiçagem biológica pôde produzir mestiçagens criativas”. Essa pintura:


Provavelmente trata-se de um ex-voto concebido em grandes proporções: o homem ajoelhado está a receber uma graça. É evidente a feição mestiça deste personagem. Esta obra, bem díspar daquelas da fatura de Ataíde, tem caráter popular, formas simplificadas e concepção arcaizante. (BOHRER, 2020, p. 133 e 134).

 

Pode ser que tanto a pintura quanto os recursos para a construção dessa edificação tenha sido o pagamento de uma promessa de uma graça recebida da Senhora das Dores.

Em se tratando de ex-votos, no Museu da Liturgia, em Tiradentes, estão expostos dois dedicados à Senhora das Dores, em um ela aparece com único punhal no peito – esse tem atribuição ao mestre artífice Manoel Victor de Jesus. No outro, a Senhora tem os sete punhais cravejados no peito; ambos procedem da Igreja de São João Evangelista, que abrigou a Irmandade de Nossa Senhora das Dores, fundada em 1801.

Ex-votos de Nossa Senhora das Dores, têmpera sobre madeira, século XIX, procedentes da Igreja de São João Evangelista. Acervo Paróquia de Santo Antônio. Museu da Liturgia, Tiradentes-MG. Fotografias: Luiz Cruz.

 

 

A devoção em Entre Rios de Minas

 

O Hospital Cassiano Campolina foi implantado no centro da cidade, a edificação foi contemplada com a capela dedicada à Senhora das Dores.  Para a ornamentação pictórica dos ambientes diversos do hospital, se contratou o pintor italiano, Francisco Tamietti Filho, que teve formação na França e veio para o Brasil. Instalou-se em Belo Horizonte, onde trabalhou na ornamentação dos prédios da nova capital mineira.

Essa Capela de Nossa Senhora das Dores recebeu pinturas parietais, numa profusão de elementos e significativa teatralidade. Pendem guirlandas de rosas e flores campestres, um cortinado de adamascado movimentado e preso por borlas, com pilastras nos cantos, enquanto ramos e flores recobrem as paredes. O teto plano, em tabuado liso, recebeu um quadro recolocado com a cena da Senhora das Dores, inserida na paisagem do Monte do Calvário, pintura a óleo. O pintor usou técnica mista, com o uso do estêncil e a pintura a mão livre para os detalhes.

O retábulo em madeira foi pintado com fingido marmóreo cinza, com detalhes em ocre. A imagem das Dores está bem ao centro e acima, no remate, aparece o Divino Espírito Santo.

 

 

Capela de Nossa Senhora das Dores, Hospital Cassiano Campolina.  Autor: Francisco Tamietti Filho. Entre Rios de Minas-MG. Fotografia: Luiz Cruz.


Retábulo da Capela de Nossa Senhora das Dores, Hospital Cassiano Campolina. Madeira pintada de fingido marmóreo.  Autor: Francisco Tamietti Filho. Entre Rios de Minas-MG. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Teto da Capela de Nossa Senhora das Dores, Hospital Cassiano Campolina. A Senhora na paisagem do Monte Calvário.  Autor: Francisco Tamietti Filho.  Entre Rios de Minas-MG. Fotografia: Luiz Cruz.


 

A indumentária dos santos de vestir e o patrimônio têxtil

 

É da maior relevância o trabalho desenvolvido pelo CEIB – Centro de Estudos da Imaginária Brasileira, que possibilita e incentiva as pesquisas sobre um dos aspectos mais ricos e mais criativos das artes brasileiras, a produção da imaginária, em seus variados suportes e tantas devoções. Criado em 1996, é a única instituição no Brasil dedicada exclusivamente aos estudos da nossa imaginária devocional. O CEIB promove congressos e edita a Revista Imagem, que conta com quinze edições, com a publicação dos trabalhos dos especialistas. Mais recentemente, o CEIB tem promovido cursos livres e o próximo será dedicado ao Patrimônio Textil, com a Professora Dra. Amanda Cordeiro, oportunidade ímpar para que tenhamos informações sobre esse aspecto da nossa cultura.


Card de divulgação.


Amanda Cordeiro e o Luiz Antônio Cruz Souza realizaram ampla pesquisa sobre os tecidos de 22 cidades, com bens tombados e inventariados pelo Iphan e pelo Iepha. Identificaram 1149 objetos dos séculos XVIII ao XX. Nesse universo, as principais peças levantadas a partir dos inventários – que são os instrumentos da maior relevância para a proteção do patrimônio cultural – identificaram: estola, casula, bolsa corporal, manípulo, dalmática, pluvial, véu de cálice, sanefa, estandarte, umbela, têxtil pintado, véu umeral, frontal de altar, pano. (CORDEIRO, SOUZA, 2021, p. 334).

Esses inventários foram realizados nas décadas de 1980 e 1990. Tornaram-se fontes preciosas para a proteção dos bens e fonte para pesquisadores.

Cordeiro e Souza apontaram os problemas que afetam a proteção dos bens têxteis, encontrados em inúmeras edificações, mas apenas os que conquistaram o patamar da musealização receberam mais atenção. Até mesmo com esses elementos, prima o processo restaurativo – ao invés do incentivo ao conservadorismo, a visar a longevidade dos bens e consequentemente menos recursos financeiros para restaurá-los.

A problemática a envolver a bens têxteis no Brasil vem de longa data, nas Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia, de 1707, orientavam os padres visitadores para as coisas dedicadas ao Divino – ornamentos considerados “rotos”, ou “velhos” – sem utilidade, depositados nas igrejas, precisavam ser retirados e queimados, as cinzas deveriam ser jogadas na pia batismal ou no sumidouro da igreja – incluindo as vestimentas neste rol (Livro. 4º, p. 72). Com a criação do Sphan, em 1937, e os tombamentos registrados e partir de 1938, a privilegiar as edificações como um todo, mas sem o devido inventários dos seus acervos integrados. Infelizmente, ocorreram muitas perdas e consequentemente, os bens mais frágeis como os tecidos e os papéis acabaram em situação mais complexadas, referentes ao armazenamento, conservação e proteção.

O instrumento tombamento individual deveria contemplar a edificação como um todo, inclusive os seus bens integrados. Nesse caso as indumentárias dos santos de vestir, mereciam atenção, pois cada imagem, principalmente as processionais conectam a materialidade à imaterialidade – a envolver, religiosidade, afetividade, pertencimento e identidade cultural.

O Compromisso da Irmandade de Nosso Senhor dos Passos da antiga Vila de São José data de 1721, desde então sua festa é realizada, com muito respeito e religiosidade. Dona Zizinha Nogueira, moradora da Rua da Câmara, cuidou da indumentária de Nosso Senhor dos Passos por mais de cinco décadas consecutivas. Dona Maria Luiza Costa, moradora do Largo do Ó, cuidou da indumentária de Nossa Senhora das Dores também por mais de cinco décadas. Atividades impregnadas de devoção e com o passar do tempo ficaram repletas de histórias e memórias.

 

Retábulo do Descendimento da Cruz, Nossa Senhora das Dores e São João Evangelista com novas indumentárias. Matriz de Santo Antônio, Tiradentes-MG. Fotografia: Luiz Cruz.

        


Retábulo do Descendimento da Cruz, Nossa Senhora das Dores e 
 São João Evangelista, detalhes das novas indumentárias.  Matriz de Santo Antônio, Tiradentes-MG. Fotografia: Luiz Cruz.

 

A Paróquia de Santo Antônio de Tiradentes, para a Semana Santa de 2026, trocou a indumentária da imagem processional de Nossa Senhora da Dores, das duas imagens do retábulo do Descendimento, da Matriz e a de Nossa Senhora dos Remédios, da Igreja de São João Evangelista. Colocaram um “trem” na cintura da Nossa Senhora das Dores que é para matar de inveja o saudoso carnavalesco Joãozinho Trinta. As duas imagens do Calvário, da Matriz, parecem que serão um daqueles trinta pares de padrinhos de casamentos espetaculosos que lá acontecem. A representação da Virgem Maria e de São João Evangelista que figuram no Monte do Calvário, compartilham as dores de Cristo, vilipendiado, torturado e morto pregado na cruz; com a nova indumentária, as duas imagens parecem debutantes, que farão uma viagem no túnel do tempo e desembarcarão nos salões da corte francesa de Luís XV (1710-1774). Isso é o reflexo da ostentação.

 

Retrato de Luís XV, em 1712. Imagem disponível nas redes.

 

As imagens sempre circularam e influenciaram a produção artística, em todos os tempos. É importante salientar que na lista dos bens reconhecidos e registrados como Patrimônio de Tiradentes, figuram a Semana Santa, desde 2007; a Festa de Nosso Senhor dos Passos foi inserida como “Bem Imaterial”, através do Decreto nº 2424, de 23 de novembro de 2016. Preservar é preciso.

Que seja muito bem-vindo o Curso Livre, promovido pelo CEIB, com o tema Patrimônio Têxtil, a ser ministrado pela Professora Dra. Amanda Cordeiro. É da maior relevância conhecer para preservar.


  Luiz Antonio da Cruz


Agradecimentos:

Cecília da Cruz Barbosa, Maria José Boaventura, Ricardo Ribeiro Resende, Willer Silveira, Carlos Magno de Araújo, Maria Clara Caldas Ferreira, Maria Regina Emery Quites, Amanda Cordeiro, Pe. Edvaldo Antônio da Melo, Sérvulo Matias Filho, Leonardo Santos Ribeiro.

 

Referências:

ALENCAR. Rivia Ryker Bandeira de. Saberes, fazeres, gingas e celebrações: ações para a salvaguarda de bens registrados como patrimônio cultural do Brasil 2002-2018. Brasília: Iphan, 2018.

BOHRER, Alex Fernandes. O Discurso da Imagem – Invenção, cópia e circularidade na Arte. Lisbon International Press, 2019.

BOSCHI, Caio César. Os leigos e o poder. São Paulo: Ed. Ática, 1986.

COELHO, Beatriz. (Org.). Devoção e Arte: Imaginária religiosa em Minas Gerais. São Paulo: Ed. Universidade de São Paulo, 2017.

CORDEIRO, Amanda Cristina Alves. SOUZA, Luiz Antônio Cruz Souza. Tecidos como patrimônio no Brasil: a realidade dos acervos têxteis eclesiásticos protegidos no Estado de Minas Gerais. UEPEL, VI Encontro Luso-Brasileiro Conservação e Restauração, Conexões, p. 327-340, 2021.

CRUZ, Luiz Antonio da. BOAVENTURA, Maria José. Glossário do Patrimônio de Tiradentes-MG. Tiradentes: IHGT, 2015.

DOSSIÊ de Tombamento – Igreja de Nossa Senhora das Dores e seu Acervo. Cachoeira do Campo, Ouro Preto. Prefeitura Municipal de Ouro Preto, Secretaria d Patrimônio e Desenvolvimento Urbano, 2010.

FALEIRO, Rodrigo Flávio de Melo. (Org.). Revisitando a arte de Francisco Tamietti: pintor italiano que trabalhou na construção da Nova Capital de Minas Gerais. Belo Horizonte: Secretaria de Estado da Cultura, Museu Mineiro, 2018.

FLEXOR, Maria Helena Ochi. Imagens de roca e de vestir na Bahia. Revista OHUN, Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Escola de Belas Artes da UFBA. Ano 2, nº 2, out. 2005, p. 165-184.

LIMA, José Arnaldo Coêlho de Aguiar. Setenário as Dores de Nossa Senhora. Mariana-MG, 2011.

LIMA JUNIOR, Augusto de. História de Nossa Senhora em Minas Gerais. Belo Horizonte: Autêntica; Ed. PUC Minas, 2008.

Memorial da Arquidiocese de Belo Horizonte – Inventário do Patrimônio Cultural. Inventário do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte. Igreja de São Francisco de Assis – Sabará (MG). Inventário nº 141, v. 2, 2016.

OLIVEIRA, Myriam Andrade Ribeiro de. A Escultura devocional na época barroca – Aspectos teóricos e funções. Revista Barroco, nº 18, p. 247-267, 1977-2000.

QUITES, Maria Regina Emery. Esculturas Devocionais – reflexões sobre critérios de conservação-restauração. Belo Horizonte: São Jerônimo, 2019.

QUITES, Maria Regina Emery. Imaginária processional, classificação e tipos de articulações. Centro de Estudos da Imaginária Brasileira. Imagem brasileira. Belo Horizonte, nº 1, p. 129-134, 2001.

RESENDE, Elson de Oliveira. De Bromado a Entre Rios de Minas, sua arte, sua história. Tiradentes: Mandala Produção, 2021.

SAINT-HILAIRE, Auguste de. Viagem às margens do Rio São Francisco. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia; São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 1975.

SANTA MARIA, Frei Agostinho de. Santuario Mariano, e Historia das Images milagrosas de Nossa Senhora, E das milagrosamente apparecidas, em graça dos Prègadores, & dos devotos da mesma Senhora. Lisboa: Na Officina de Antonio Pedrozo Galraõ, 1707-1723, 10 v.

TIRADENTES – Quadro II – A – Proteção. Inventário de Proteção do Patrimônio Cultural. Execução – Exercício 2025 – Tiradentes-MG.

Comentários

  1. Luiz, parabéns pelo artigo. Ele é rico em contexto e em fotografia. Percebe-se que ele é fruto de muita leitura e andança. O seu interesse pelo patrimônio histórico e artístico produz belos textos. Continue nesse caminho. Abraço.

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    1. Amiga Maria Clara, imagino que este comentário seja seu. Fizemos uma verdadeira imersão no tema Nossa Senhora das Dores, realmente foram muitas leituras. Depois, partimos para o trabalho de campo, o desafio para encontrar as igrejas abertas e registrar as representações; as vezes com iluminação e angulos inadequados. Enfim, conseguimos percorrer uma pequena rota. O Patrimônio de Minas Gerais é fabuloso. É inspirador. Gratidão e abraço

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