A
famosa libélula de Tiradentes
A
libélula é o animal mais bonito do mundo.
As
asas transparentes, os olhos grandes, a
leveza,
a rapidez do voo, elas são lindas.
Ângelo Machado, Ângelo Machado: entre livros e libélulas, 2007.
Domingo, 1º de novembro de 2026. Depois de uma semana muito agitada e com tantas coisas acontecendo na nossa amada terrinha, onde nasceu o Alferes Tiradentes, fizemos uma caminhada na Serra de São José. É preciso lavar a alma e recarregar as energias. Aproveitamos, fotografamos as cachoeiras, algumas aves e as paisagens imponentes.
Cachoeira do Mangue, Serra de São José, Tiradentes/MG.
1º de novembro
de 2026. Fotografia: Luiz Cruz.
Carrapateiro – Milvago chimachima, Serra de São José, Tiradentes/MG.
1º de novembro
de 2026. Fotografia: Luiz Cruz.
Ao
retornarmos, passamos pelo Largo do Chafariz e finalmente vimos o portão do
Bosque da Mãe D’Água aberto. Fomos apreciar a execução do tal projeto de parque
da prefeitura – que comentaremos agora, para não atrair energia negativa. Foi
no Bosque da Mãe D’Água que os biólogos alemães Werner Piper e Günther Peters,
mais o biólogo brasileiro Lúcio Cadaval Bedê viram e registraram uma libélula
pela primeira vez. Depois, esses biólogos com o apoio dos entomólogos Ângelo
Machado e Marcos Magalhães de Souza contribuíram para a identificação da
espécie. Essa nova libélula foi denominada Heteragrion tiradentense.
Bosque da Mãe D’Água, aqueduto do Chafariz de São José. Tiradentes/MG.
1º de novembro de 2026. Fotogafia: Luiz Cruz.
Estávamos
na década de 1990, quando recebemos os biólogos alemães aqui na terrinha amada
e os conduzimos para os locais possíveis para a observação das libélulas. Isso
já era o suficiente, já tínhamos contribuído. Bastava!
Mas, quando
decidimos fazer o livro Libélulas da Serra de São José, estivemos dezenas
de vezes no Bosque da Mãe D’Água para fotografar tal raridade da Mata Atlântica,
não conseguimos. É muito difícil encontrar essa espécie. Para o nosso livro,
usamos uma boa fotografia de autoria do entomólogo e nosso amigo, o Professor
Dr. Marcos Magalhães de Souza e a Heteragrion tiradentense ficou mais
bela em uma página inteira.
Deus é
Pai, hoje, Dia de Todos os Santos, na visita ao Bosque da Mãe D’Água, caminhamos
com cuidado e atenção. Eis que um inseto pousou numa folha. Paramos. Observamos.
Era ela, a famosa libélula da Serra de São José. Fizemos as fotos e encaminhamos
para o Professor Dr. Marcos Magalhães para a confirmação. Ela, a Heteragrion
tiradentense, agora registrada por nossa câmera Canon. Linda, com
as cores contrastantes: o preto e o amarelo.

Libélula Heteragrion
tiradentense, Bosque da Mãe D’Água, Tiradentes/MG
1º de novembro
de 2026. Fotografia: Luiz Cruz.
Considerava
os pesquisadores Werner Piper, Günther Peters, Lúcio Cadaval Bedê e Marcos
Magalhães de Souza muito privilegiados por terem, aqui no sopé da Serra de São
José, oportunidade de apreciar essa libélula identificada e logo incluída na Lista
Vermelha de Espécies Ameaçadas de Extinção. Agora, eu mesmo me incluo nesse
seleto grupo de pesquisadores com tal privilégio. A Natureza é sábia e dadivosa.
Gratidão Mãe Natureza!
Luiz Antonio
da Cruz
Referências:
Bedê, Lúcio Cadaval.; MACHADO, Ângelo
Babosa Monteiro.; PIPER, Werner.; SOUZA, Marcos Magalhães de. Odonatas of the
Serra de São José – Brazil’s first Wildlife Reserve aimed at the conservation
of dragonflies. Notulae odonatologicae 9(5), 2015: 117-155.
CRUZ, Luiz Antonio da.; SOUZA, Marcos
Magalhães de.; SILVA, Ello Brasil Ribeiro da. Libélulas da Serra de São José.
Tiradentes: Mandala Produção, 2026.
CRUZ, Luiz Antonio da.; SANTOS, Kassius Klay.
Aves da Serra de São José. Tiradentes: Mandala Produção, 2025.
Luiz, parabéns pelo registro e divulgação. Abraço. Fiquem bem. - Clarinha.
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