MINAS GERAIS – SOCORRO
A palavra
liberdade
vive na
boca de todos:
quem não
a proclama aos gritos
murmura-a
em tímido sopro
Cecília Meireles

Monumento a Tiradentes, Praça Tiradentes, Ouro Preto/MG. Fotografia: Luiz Cruz.
Ouro
Preto & Tiradentes. Era 1977, o nosso primeiro ano morando e estudando na
antiga Vila Rica. Em julho, participamos pela primeira vez do Festival de
Inverno da UFMG, fizemos a Oficina de Pintura, com os professores Aloísio
Carvão e Abelardo Zaluar. Foi uma experiência fabulosa e tivemos contato com
muito artistas brasileiros reconhecidos com Celeida Tostes, Anna Letycia, José
Lima e outros. Assistimos bons espetáculos e participamos de mostras de filmes
estrangeiros. A programação do Festival de Inverno da UFMG era de excelência e
muito concorrida. Ouro Preto respirava arte, transbordava arte. E a arte nos
salva sempre!
Ao
encerrar as oficinas do Festival de Inverno, centenas de alunos decidiram fazer
uma caminhada do Largo do Rosário até a Praça Tiradentes. O objetivo seria manifestar
a gratidão pelo aprendizado, pela convivência e o compartilhamento de
experiências. A exposição dos trabalhos da Oficina de Pintura ocorreu da
Galeria de Arte da FAOP. Ainda com os trabalhos selecionados para tal,
acompanhamos a caminhada dos alunos do Festival. Tudo transcorreu
tranquilamente, mas ao chegarmos à Praça Tiradentes, um camburão da PMMG
aguardava pela chegada dos participantes. Os alunos da linha frontal da
caminhada, aleatoriamente, foram capturados e jogados dentro do camburão. Isso
sempre ocorria com os estudantes de Ouro Preto, sendo que muitos foram
torturados e outros mortos, com os corpos desaparecidos. Isso foi comum ao
longo da ditadura militar.

Luiz Cruz na Praça Tiradentes, após a PMMG capturar e prender alunos do Festival de Inverno da UFMG. Ouro Preto, 1977. Fotografia: Acervo Luiz Cruz.
Ao
longo das edições do Festival de Inverno da UFMG, em Ouro Preto, coube ao
coordenador Júlio Varella interceder junto à PMMG e à Polícia Civil para assegurar
a integridade dos alunos e a soltura deles. Júlio Varella teve grande
relevância nesse período de turbulência da vida ouropretana.

Largo de Coimbra, onde aconteceram diversas performances. Festival de Inverno de Ouro Preto, UFMG, 1977. Fotografia: Luiz Cruz.
Tudo era vigiado. Tudo era punido. Mesmo assim, ocorriam performances artísticas. Usava-se a linguagem corporal e textos construídos para que ELES não entendessem nada. O Largo de Coimbra, em frente à Igreja de São Francisco de Assis, foi cenário de divertidas e criativas performances. Tudo era arte e ao mesmo tempo política.
Performance artística, Largo de Coimbra. Festival de Inverno de Ouro Preto, UFMG, 1997. Fotografia: Luiz Cruz.

Márcia Valadares no Largo de Coimbra. Performance artística. Festival de Inverno de Ouro Preto, UFMG, 1977. Fotografia: Luiz Cruz.
Após o
golpe militar de 1964, Ouro Preto reagiu com elegância e sabedoria. Em 1968, um
grupo de intelectuais e artistas instituíram e inauguraram a FAOP – Fundação de
Arte de Ouro Preto, dentre eles Vinícius de Moraes, Domitila do Amaral, Murilo
Rubião, Affonso Ávila, Rui Mourão, Nello Nuno e Annamélia. Ouro Preto
tornara-se ponto de resistência cultural e destaque frontal contra a repressão
militar.
Foram
os anos de chumbo. Era a Ditadura Militar. Ocupava o cargo de presidente da
República o general do Exército Ernesto Geisel (1907-1996), que com mão de
ferro governou o Brasil no período de 15 de março de 1974 a 15 de março de
1979. Geisel fora um dos principais articuladores da deposição / golpe a João Goulart.
Sob sua administração é que o jovem jornalista Vladimir Herzog (1937-1975)
morreu torturado na sede do DOI-Codi de São Paulo, nos obscuros porões da
ditadura militar.
Como
ocorrido com Herzog, quem tinha opinião diferente dos militares sofria
perseguição. Muitos intelectuais, artistas e cientistas partiram ou tiveram que
pedir exílio político. Homens e mulheres foram presos e torturados. Mães foram torturadas
em frente aos seus filhos pequenos. Pau de arara foi um método da barbárie.
Choque nas partes íntimas. Arrancar unhas. Introduzir ratos nas partes das
mulheres. Mataram. Desapareceram com os corpos. Muitos foram sepultados
clandestinamente. Jogaram corpos no mar. É preciso lembrar para não esquecer. É
necessário conhecer a História para que possamos defender a Democracia e dizer
basta ao golpismo.
Um dos
mais temidos torturadores do Brasil foi o coronel do Exército Carlos Brilhante
Ustra – o torturador de Dilma Rousseff. Ustra é o ídolo do ex-presidente e
presidiário Jair Bolsonaro, que cumpre pena por “alguns” de seus crimes.
Ainda,
no governo de Geisel, em 1978, o presidente general de mão de ferro enfrentou a
primeira grande greve dos metalúrgicos do ABC Paulista, liderada pelo sindicalista
Luiz Inácio Lula da Silva.
O
tempo passou. Não há como esquecer nossos amigos / companheiros daqueles tempos
de resistência cultural ouropretana, como Ney Cokada, Jorge Luiz dos Anjos, Gélcio
Fortes, Márcia Valadares, Nádia Fortes, Guilherme Mansur e tantos outros. Naqueles
tempos, Bené da Flauta se tornava uma das figuras mais queridas de Ouro Preto. No
Largo de Coimbra ou na Praça Tiradentes, produzia suas peças em pedra sabão. Quando
precisava descansar, parava, cantava, dançava. Conquistava todos os
transeuntes, em especial os jovens estudantes. Naqueles espaços tão
privilegiados, histórica e arquitetonicamente, tudo transcorria sob os olhares
atentos do Alferes Tiradentes, em seu destacado monumento da Praça Tiradentes.

Monumento ao Alferes Tiradentes, Praça Tiradentes, Ouro Preto/MG. Fotografia: Luiz Cruz.
É
muito bom saber que Ouro Preto – a antiga Vila Rica – a “Terra onde nasceu o
sonho de LIBERDADE”, continua na resistência. Em Ouro Preto, nas últimas
eleições, o candidato do PL – o filho do presidiário golpista – o famoso das
rachadinhas, da compra de imóveis com dinheiro vivo, apoiador dos milicianos
assassinos do RJ com ligações com o PCC, o que conseguiu roubar o ladrão
Vorcaro, o capacho dos Estados Unidos e daquele Trump pedófilo... Esse
miliciano não obteve boa votação em Ouro Preto. Parabéns ao povo ouropretano.
O
mesmo não podemos dizer de Tiradentes-MG, cidade que vive arrotando a palavra
LIBERDADE, mas na hora de votar, depositou o voto, no primeiro turno, em apoio
ao miliciano – o pior e mais periculoso político da História do Brasil. Votaram
em senador que historicamente sempre aprovou os projetos contra o povo
trabalhador. Votaram nessa extrema direita que só se lembra que existe POVO na
hora da eleição; depois, juntam-se como uma quadrilha para atacar a República,
a Democracia e colocar a Soberania Nacional em risco. Não respeitam nada, nem a
padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida.
Minas
poderia continuar fazendo história bonita, como já fez... Tivemos uma das
primeiras mulheres a ocupar uma vaga no Senado por voto popular no Brasil, Júnia
Marise, honra dividida com Marluce Pinto. No último pleito, Minas poderia ter
elegido pela primeira vez duas senadoras, Marília Campos e Áurea Carolina. Preferiram
votar no candidato da extrema direita, que sempre atacou os Direitos dos
Trabalhadores e promoveu a grave desconstrução dos instrumentos de proteção ao
Meio Ambiente. Marília Campos foi eleita
e Áurea Carolina ficou fora. Tristeza para Minas, que perde expressividade na
vida política brasileira.
Triste
para a cidade do Alferes Tiradentes, os pobres da direita atuaram como as
“baratas que elegeram a inseticida para a presidência” e deram provas do
desprovimento de Cultura Política. Estes pobres continuarão sendo pobres,
porque o empresariado local sempre apreciou a mão de obra semiescravizada –
depois, todos, estarão ao lado do miliciano, o bandido das rachadinhas e do
Master – o tosco.
Já
registramos no centro antigo de Tiradentes manifestações contra a exploração da
mão de obra. Há indignação. Mas para que se possa assegurar os direitos do povo,
torna-se necessário usar adequadamente o instrumento VOTO. Apoiar um miliciano
à presidência da República, um homem sem nenhuma experiência de “trabalho” não
pode e nem dever ser a solução.

Registro no centro antigo de Tiradentes,
2026. Fotografia: Luiz Cruz.
Vamos
reagir. No segundo turno das eleições de 2026 precisamos nos mobilizar e seguir
o exemplo das cidades históricas mineiras: Ouro Preto (PT: 28.812 / PL:
14.272), Diamantina (PT: 16.583 / PL: 8.152) e Mariana (PT:
21.541 / PL: 11.762) – que votaram pela dignidade humana, Democracia, Soberania
Nacional, Direitos dos Trabalhadores, Ciência, Educação, Arte & Cultura.
A cidade do Alferes Tiradentes precisa honrar sua história e a memória de seu filho mais ilustre, que antes de morrer enforcado disse: “Mil vidas eu tivesse, mil vidas eu daria pela libertação da minha pátria”.
Luiz
Antonio da Cruz
Aqui,
o resultado do 1º Turno das eleições dos municípios integrantes do Circuito
Turístico Trilha dos Inconfidentes. Para o 2º Turno, vote pela Cultura e pelo
Patrimônio Cultural – é isso que fortalece o Turismo e fomenta a economia. Entre
os dois candidatos, Lula é disparadamente o melhor. Somente em São João del-Rei,
Lula aplicou dezenas de milhões de reais para restaurar seus principais monumentos
culturais. Isso é investimento, é fomento ao Circuito Trilha dos Inconfidentes.
O cidadão
precisa votar e eleger quem vai assegurar nossa Soberania Nacional e evitar que
o Brasil seja transformado numa republiqueta teocrática e miliciana.
|
1º TURNO DAS
ELEIÇÕES 2026 Municípios
integrantes do circuito turístico TRILHA DOS
INCONFIDENTES – Minas Gerais |
|||
|
Município e
votos do PT e PL |
PT |
PL |
|
|
01 |
Alfredo Vasconcelos |
2.215 |
1.993 |
|
02 |
Antônio Carlos |
4.036 |
2.599 |
|
03 |
Barbacena |
35.266 |
31.062 |
|
04 |
Barroso |
6.454 |
5.110 |
|
05 |
Carrancas |
1.085 |
1.213 |
|
06 |
Carandaí |
7.083 |
7.394 |
|
07 |
Conceição da Barra de Minas |
1.299 |
1.253 |
|
08 |
Coronel Xavier Chaves |
1.237 |
932 |
|
09 |
Desterro do Melo |
1.424 |
1.552 |
|
10 |
Dores de Campos |
2.540 |
3.227 |
|
11 |
Entre Rios de Minas |
4.203 |
4.146 |
|
12 |
Ibituruna |
828 |
984 |
|
13 |
Itutinga |
1.254 |
1.198 |
|
14 |
Lagoa Dourada |
3.223 |
4.044 |
|
15 |
Madre de Deus de Minas |
1.676 |
1.458 |
|
16 |
Nazareno |
2.558 |
1.963 |
|
17 |
Piedade do Rio Grande |
1.409 |
1.208 |
|
18 |
Prados |
2.913 |
2.223 |
|
19 |
Resende Costa |
3.132 |
3.368 |
|
20 |
Ritápolis |
1.859 |
1.335 |
|
21 |
Santa Bárbara do Tugúrio |
2.017 |
978 |
|
22 |
Santa Cruz de Minas |
1.881 |
2.608 |
|
23 |
São João del-Rei |
21.946 |
25.618 |
|
24 |
São Tiago |
2.913 |
3.273 |
|
25 |
São Vicente de Minas |
1.940 |
1.806 |
|
26 |
Tiradentes |
2.399 |
2.556 |
|
Fonte: g1.globo.com |
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